Economia

Crescer em época de crise econômica pode alterar hábitos durante a vida, aponta estudo

A pesquisa mostrou que não só a crise do petróleo iraniano deixou marcas nos hábitos dos americanos, mas sim choques econômicos em geral

Crédito: AFP Photo / Miguel Schincariol

Dizem que as pessoas se moldam áquilo que elas vivem, sejam experiência marcantes ou pessoas que conhecem. Correntes da psicologia sustentam esta tese, e agora alguns economista também seguem este caminho. Em estudo realizado pela escola de economia da Universidade da Pennsylvania pelos economistas Christopher Severen e Arthur Van Benthem, foi constatado que os hábitos do jovens daquela época foram alterados pelas crise de petróleo vivida na década de 1970 alteraram, especialmente em relação a maneira como se locomovem pela cidade.

Segundo o levantamento, pessoas nascidas entre 1964 e que em 1979 estavam aprendendo a dirigir (nos Estados Unidos é possível tirar a carta de motorista com 16 anos) tem um tendência menor a usar carro em seu dia a dia, preferindo locomoção através de transporte público ou individual. Isso porque no período em que começavam a guiar coincidiu com a revolução iraniana e a ascensão do Ayatollah Khomeini, que causou o maior aumento de preço do petróleo na história.

Após a constatação, Severen, analisou outras séries históricas e constatou que crises durante a fase formativa do cidadão podem afetar seus hábitos para a vida. Ao estudar dados do governo americano entre 1960 e 2010, a pesquisa mostrou que não só a crise do petróleo iraniano deixou marcas nos hábitos dos americanos, mas sim choques econômicos em geral. Segundo o artigo, se o preço da gasolina dobra enquanto uma pessoa está aprendendo a dirigir, menor a chance dessa pessoa usar carro para ir ao trabalho no futuro, e essa pessoa irá rodar em vida entre 1.500 km a 1.770 km a menos do que a média americana. Além disso, cidadãos que aprenderam a dirigir em tempos de crise de petróleo tem menor tendência a comprar grandes e poluentes caminhões e mais inclinados a usar transporte público.

Porém as crises não moldam apenas hábitos de transporte, mas também de consumo, como constatou Ulrike Malmendier, da Universidade da Califórnia na cidade de Berkeley, e Leslie Sheng Shen, do Federal Reserve. O estudo escrito pela dupla analisou os efeitos do desemprego nos hábitos de compra daqueles que passaram mais tempo sem emprego e concluiu que pessoas que passaram por períodos longos de desemprego tem tendência a gastar US$ 1.035 a menos em média em comida e US$ 4.492 a menos em outros tipos coisas do que a média americana. A tendência foi confirmada mesmo levando em conta outros fatores como renda, idade, geografia e demografia.