Ciência

Cresce número de crianças hospitalizadas por incêndios na Amazônia

Cresce número de crianças hospitalizadas por incêndios na Amazônia

(Agosto) Crianças participam de protesto no Rio de Janeiro contra a destruição da Amazônia - AFP

O número de crianças menores de 10 anos hospitalizadas por problemas respiratórios em áreas afetadas por incêndios na Amazônia quase dobrou e a mortalidade infantil aumentou consideravelmente em alguns estados por essa causa, de acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira.

O estudo do Instituto Fiocruz, especializado em epidemiologia, analisou dados de 700 municípios nos nove estados da região amazônica de maio e junho, que correspondem ao início da estação seca, quando os incêndios aumentam.

Os pesquisadores estimaram que o risco de hospitalização por problemas respiratórios nesses dois meses do ano era 36% maior em crianças menores de 10 anos que moram nas cidades mais expostas a incêndios florestais.

Nessas cidades, foram registradas mais de 5.000 hospitalizações infantis em maio e junho, enquanto a média mensal de 2008 a 2018 para esses dois meses foi ligeiramente superior a 2.500.

No estado de Rondônia, a taxa de mortalidade de crianças menores de 10 anos por doenças respiratórias foi de 393 por 100.000 entre janeiro e julho de 2019, em comparação com 287 por 100.000 registrados no mesmo período do ano anterior.

Em Roraima, essa taxa aumentou de 1.427 por 100.000 entre janeiro e julho de 2018 para 2.398 por 100.000 durante os primeiros sete meses de 2019.

Segundo Diego Ricardo Xavier, epidemiologista da Fiocruz e coautor da pesquisa, os incêndios e o desmatamento na Amazônia têm um forte impacto no sistema de saúde, afetando as populações mais vulneráveis.

Os dados de satélite mais recentes do Instituto de Pesquisa Espacial (INPE) mostram que houve quase tantos incêndios na Amazônia de janeiro a setembro quanto em todo o ano passado (66.750 contra 68.345 em 2018).

Comparando-se os períodos de janeiro a setembro deste ano e do ano passado, o aumento é de 41%. Os números mostram, no entanto, que em setembro houve uma queda de 19% em relação ao mesmo mês de 2018.

O aumento alarmante dos incêndios florestais na Amazônia em 2019 causou uma grande reação internacional, com fortes críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro questionou os dados do INPE e denunciou uma tentativa de minar a soberania brasileira sobre a região amazônica.