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CPI: consultor contradiz depoimento de Regina Célia sobre processo de compra da Covaxin

Crédito: Divulgação - Agência Senado

Consultor diz à CPI que Regina Célia foi a responsável por autorizar a participação da Madison Biotech como intermediadora da fabricante Bharat Biotech (Crédito: Divulgação - Agência Senado)

O consultor do Ministério da Saúde William Amorim Santana, técnico da divisão de importação da Pasta, confirmou nesta sexta-feira (9) à CPI da Pandemia que foi a servidora Regina Célia Silva Oliveira, fiscal do contrato para aquisição da vacina indiana Covaxin, a responsável por autorizar a participação da Madison Biotech como empresa intermediadora ligada à fabricante Bharat Biotech, dando seguimento ao processo para importação do imunizante no País.



O depoente disse ainda que fez três alertas à fiscal sobre erros na invoice (fatura para negociação internacional) como o número menor de doses do que o combinado, prazo de entrega, determinação de pagamento antecipado e a presença da intermediadora, todos eles não previstos no contrato, conforme informações da Agência Senado.

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“Nós recebemos a commercial invoice, fizemos os apontamentos, submetemos à área de fiscalização, e eles [Departamento de Fiscalização] deram o parecer favorável. Ela [Regina Célia] não me disse que não podia constar essa informação na invoice, em momento algum. Pelo contrário, nós temos uma troca de e-mails onde ela responde para o fornecedor que aceita os termos dispostos e aguarda o cumprimento do item 2, que é a apresentação da declaração dizendo quem é a Madison”, explicou o consultor ao acrescentar que a Precisa Medicamentos (empresa brasileira que negociou a compra) enviou a declaração diretamente ao departamento de fiscalização do Ministério da Saúde para permitir a entrada da Madison Biotech na invoice, não cabendo, segundo ele, a responsabilidade de seguimento do processo a divisão de importações.

Ainda de acordo com Santana, apesar dos seguidos comunicados para que a Precisa fizesse as correções, a terceira invoice (última antes de a Anvisa rejeitar a licença de importação da Covaxin) ainda apresentava divergências com o contrato. O consultor informou que foram corrigidos os pontos relacionados ao pagamento antecipado, mas dois erros persistiam: a presença da Madison e as informações sobre o envio da carga com valor extra do frete e seguro, em torno de R$ 5 milhões.



Pressão

Toda a análise técnica sobre a emissão da licença de importação da Covaxin foi feita por Santana com a supervisão do diretor da divisão de importações, Luis Ricardo Miranda, que já depôs à comissão e disse que sofreu “pressão atípica” de seus superiores hierárquicos para aprovação rápida da negociação com a Bharat Biotech. O consultor confirmou que seu chefe foi pressionado a liberar a importação das vacinas Covaxin.

“Há uma hierarquia no ministério, então as cobranças vêm de cima pra baixo. As cobranças eram dirimidas a ele, ele era bastante cobrado”, disse.

Durante o depoimento, o consultor exibiu os três e-mails enviados pela Precisa Medicamentos, entre eles a invoice que, segundo a senadora Simone Tebet (MDB-MS), corresponde ao mesmo documento apresentado pelo servidor Luis Ricardo Miranda e que foi declarado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, como falso.

Ao comparar os documentos, Willian Santana confirmou que se tratava da primeira invoice, enviada por link dropbox (um serviço para armazenamento e partilha de arquivos) em 18 de março. Para o senador Renan Calheiros, relator da CPI, o ministro cometeu crime de falsidade ao tentar confundir a investigação e defendeu a sua convocação para prestar depoimento à CPI. O presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), informou que a convocação será votada na terça-feira (13).


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