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Covid-19 pode ser o melhor plano econômico do Brasil?

Quarentena imposta pelo novo coronavírus submeteu as empresas a um período desafiador, que gerou aprendizado, transição, mudança e, pasmem, crescimento.

Crédito: Evandro Rodrigues

O título pode soar estranho para quem está, compreensivelmente, atordoado com a enxurrada de notícias negativas e politizadas que recebemos diariamente por causa da Covid-19. No entanto, a frase pode fazer sentido para aqueles que filtraram as informações com todo o cuidado e profilaxia — e, sem medir forças com o novo coronavírus, buscaram alternativas para superar o desafio.

Há 39 anos abri uma software house. Atravessei todos os planos econômicos desde a redemocratização do País: Plano Cruzado (1986); Plano Collor (1990); e Plano Real (1994). Hoje a empresa oferece serviços, hardwares e softwares para o mercado corporativo, sendo distribuidor platinum da HPE.

Ainda que cada plano econômico tivesse uma tática diferente, a guerra contra a inflação era o motivo de todos. Na era Sarney houve a fracassada tentativa de controlar os preços pelo tabelamento. Collor confiscou o dinheiro do povo na tentativa de forçar a queda dos preços pela diminuição do poder de compra. Fernando Henrique Cardoso equiparou o dólar a uma nova moeda, o real, e conseguiu equilibrar os preços. Lula teve habilidade para aproveitar o cenário exterior favorável das commodities. Fez caixa para distribuir renda, melhorar programas sociais e atravessar a crise de 2008. Reduziu o IPI, impulsionou o consumo, lançou o PAC e bancou eventos esportivos. Deu certo. Só que não! Por traz disso tudo foi erguido um esquema de corrupção envolvendo políticos, partidos, estatais e as maiores empreiteiras do País.

Deixando presidentes, ministros e planos econômicos à parte, está sendo a pandemia o propulsor para muitos segmentos e empresas se reinventarem com o que têm. O que estamos vivenciando neste momento vai além da nossa capacidade de adaptação e planejamento. As organizações foram obrigadas a remodelar os negócios. Um MBA prático, cujo trabalho de conclusão é sobre crescimento sustentável: competitivo e eficiente.

Não sei quanto a você, mas de tudo o que já enfrentei como líder de negócio, o movimento gerado pela pandemia é o desafio que me fez evoluir mais, até o momento. Quando começou a quarentena, pensei nas dificuldades em garantir a sobrevivência da empresa. Não é que desacredito da venda on-line, mas culturalmente fomos talhados ao tête-à-tête com o cliente. O trabalho remoto também me atordoava. Não pelo poder transformador da tecnologia. O receio era em relação ao comprometimento e às tentações de líderes e liderados.

Após meses de quarentena, vi que estava errado e assumo meu preconceito sobre o trabalho remoto. Minha equipe se mostrou perfeitamente capaz de atuar de maneira distribuída, com dedicação plena aos processos comerciais. Hoje, não vejo o home office com preocupação, mas uma oportunidade de melhoria, tanto para a qualidade de vida da equipe quanto pela redução do custo operacional. Ah, ia esquecendo, o crescimento da empresa nesse período foi de três dígitos!

Compartilho essa minha experiência para propor aos gestores e líderes de negócio que se mantenham atentos às crises e possíveis instalações de caos. Porém, acho fundamental não nos privarmos da oportunidade de aproveitar momentos como esses para rever conceitos, processos, estruturas e comportamentos que devem e precisam acompanhar os sinais de evolução do mundo.

Marcos Araújo é diretor financeiro da MPE Soluções

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