Ciência

Covid-19: ‘como meu pé virou meme mentiroso contra vacinas’

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Uma doença de pele inexplicada transformou a vida de uma voluntária da vacina contra o coronavírus de uma hora para outra (Crédito: Reprodução/Redes Sociais)

Uma doença de pele inexplicada transformou a vida de uma voluntária da vacina contra o coronavírus de uma hora para outra, após ela criar uma vaquinha online para tratar a enfermidade.

Patricia, moradora do Texas, nos EUA, foi uma das voluntárias da Pfizer na fase 3 dos testes da vacina contra a covid-19. Dias após tomar uma dose, caminhando com seu marido e sua filha, sentiu fortes dores nos pés. Mais tarde, o inchaço virou uma grande bolha que a impedia de usar calçados.

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Ao procurar um médico, uma das possibilidades seria a reação a algum medicamento. Imediatamente ela pensou no teste da vacina do qual ela estava participando na época. Como o sistema de saúde americano é privado, um parente abriu uma vaquinha em um site para arrecadar dinheiro para despesas médicas.



A descrição colocada na página fez uma ligação direta entre as bolhas e o teste da vacina. Dizia: “Patricia foi voluntária em um estudo de vacina contra covid-19 recentemente e teve uma reação adversa grave”.

A história se espalhou rapidamente depois que um influenciador antivacinas republicou o texto e acabou em vários lugares, incluindo um site cristão evangélico com tema de apocalipse e de lá para grupos do Facebook em diversos idiomas, incluindo português.

Conforme a notícia começou a se espalhar, os médicos da Pfizer investigaram a participação dela no teste e revelaram que ela havia recebido o placebo de água salgada, não a vacina experimental.

Depois de receber a notícia, Patricia tentou corrigir o erro no site da vaquinha, mas os fatos recém-revelados não contiveram a disseminação de informações enganosas.

A voluntária começou a receber mensagens de influenciadores procurando discutir a história dela em seus canais no YouTube, além de uma avalanche de ofensas nas redes sociais.

Segundo ela, as pessoas a chamavam de “idiota, viciada em drogas, criminosa condenada, vigarista, uma pessoa de caráter questionável e coisa pior”.

Ativistas antivacinas enviaram mensagens furiosas dizendo que ela nunca deveria ter participado dos testes. Ao mesmo tempo, outros enviaram mensagens abusivas acusando-a de alimentar deliberadamente a desinformação.

Patricia insiste que ela nunca teve a intenção de enganar ninguém. Ela desativou seus perfis das redes sociais por causa das mensagens e diz que está particularmente chateada com o lobby antivacinas.

Com contas médicas para pagar, ela precisou tirar a página do ar e depois voltou com texto editado. Desta vez, está escrito: “Patricia ainda está sofrendo de uma condição dolorosa na pele dos pés; no entanto, a causa não está clara”.

A página ofereceu um reembolso a qualquer pessoa que doou dinheiro sob a falsa impressão de que o dano foi causado pelo teste da vacina. A página já arrecadou mais de US$ 5 mil (cerca de R$ 25 mil).

Agora, Patricia “quer apenas que isso acabe”. Ela espera descobrir a causa de sua condição e voltar ao trabalho em breve.

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