Tecnologia

CORRIDA DO PIXEL

Há uma grande semelhança entre os fabricantes de computadores e as companhias que produzem câmeras fotográficas digitais. Os dois setores promoveram uma revolução tecnológica em suas respectivas áreas, mas, sem perceber, caíram em uma armadilha do mercado. Neste cenário, o ritmo da evolução tecnológica dos produtos está mais lento, ao contrário dos preços, que caem mais rápido. Todas as marcas de PCs são praticamente idênticas sob o ponto de vista da tecnologia à disposição do consumidor. As novidades se resumem praticamente a alguns recursos multimídia e a capacidade de processamento das máquinas. No caso das máquinas digitais, o maior diferencial entre uma marca e outra é a capacidade de definição de imagem de cada equipamento. Empresas como a Canon, Kodak e Fuji se envolveram em uma disputa nesse setor onde são obrigadas a lançar modelos mais potentes em um ritmo frenético, para não serem engolidas pelo concorrente mais próximo. É a guerra dos megapixel, o termo técnico que mede a definição de imagem de uma câmera digital.

Nessa corrida a vantagem está, por enquanto, nas mãos da americana Kodak. Por ano, a empresa investe US$ 600 milhões na tecnologia digital. Seu mais recente lançamento é uma câmera de 14 megapixel de definição. É a maior à venda no mercado e custa lá fora US$ 7 mil. Esse equipamento chegará ao Brasil na segunda quinzena deste mês e seu preço ainda não está definido. ?É um canhão de tecnologia?, diz Richard Ford, diretor da Kodak no Brasil. Essa máquina é realmente um grande salto. Em média, os equipamentos à venda tem 2 megapixel de resolução, o suficiente para imprimir uma foto com qualidade no tamanho de 10 cm por 15 cm. Máquinas semi-profissionais chegam a 5 megapixel, mas até agora ninguém tinha rompido a barreira dos 12 megapixel das máquinas fabricadas pelas japonesas Fuji e Canon.



A busca pela melhor definição tem levado os fabricantes a fazer altos investimentos em pesquisa. Atualmente, a Canon e a Kodak só perdem para a IBM no ranking de empresas que mais solicitaram patentes no mundo. Assim, a resolução das máquinas aumenta 2 megapixels ao ano. ?É uma inovação a cada segundo?, diz Flávio Takeda, gerente da Fuji no Brasil. Enquanto o número de megapixel aumenta, o preço segue o sentido inverso e cai a cada lançamento. No Brasil, os preços das câmeras digitais mais simples tiveram uma redução de 82% desde 1997.

Todas essas empresas brigam por um mercado que ainda está na infância. Um estudo da consultoria InfoTrends estima que em cinco anos as vendas das câmeras digitais alcançarão US$ 11,8 bilhões no mundo. No ano passado foram vendidas 24 milhões de unidades, o que representou 28% de todas as câmeras comercializadas no planeta. Para 2007, a Infotrends espera que as máquinas digitais vendam 51 milhões de unidades. ?As câmeras com filmes fotográficos ficarão restritas a nichos cada vez menores de mercado?, diz Eduardo Castanho, fotógrafo e consultor da Imager Fotografia

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