Economia

Coronavírus: britânicos deixam supermercados sem farinha

Coronavírus: britânicos deixam supermercados sem farinha

Foto tirada em 31 de março de 2020 de prateleira vazia em supermercado de Sainsbury, no norte de Londres - AFP/Arquivos


Confinados em casa contra o coronavírus, muitos britânicos passam o dia assando bolos, ou seu próprio pão, a tal ponto que a venda de farinha dobrou, desabastecendo os supermercados.

A farinha é “um elemento invisível na cadeia alimentar… até sentirmos falta dela”, disse à AFP Alex Waugh, da associação britânica de farináceos Nabim.

Juntamente com o macarrão, o arroz e alimentos enlatados, este produto foi alvo de frenesi do consumidor britânico para estocar alimentos.

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Sem restaurantes, bares, ou redes de fast-food que lhes fornecem parte de suas refeições, eles são obrigados a cozinhar três vezes ao dia, e alguns passam o dia fazendo bolos em família, ou assando pão caseiro.

Em poucas semanas, as compras de farinha no país dobraram, atingindo quatro milhões de pacotes semanais, segundo Nabim.

Como tem sido feito com outros itens essenciais, entre eles sabão e produtos de higiene, os supermercados limitaram suas vendas a dois, ou quatro, pacotes por pessoa.

Com o comércio desabastecido, alguns tentam trocar legumes por farinha com seus vizinhos, geralmente sem sucesso. Outros tentam comprar diretamente das fábricas, que dizem estar “sobrecarregadas”. Muitos tiveram de fechar suas lojas.

– Impossível atender à demanda –

“Os pedidos de estabelecimentos comerciais quadruplicaram, e recebemos 800 pedidos on-line em dois dias, em vez da dúzia usual”, explica David Wright, diretor do moinho G.R. Wright and Sons.

É preciso voltar pelo menos à década de 1970 e a uma greve das padarias para encontrar uma situação tão tensa em relação à demanda por farinha, aponta Wright, cuja empresa – propriedade familiar desde o século XIX – emprega 120 pessoas.

Já Waugh acredita que a situação atual não tem equivalente na história moderna do setor.

Como resultado, os grupos operam suas usinas 24 horas por dia, sete dias por semana. Ainda assim, é impossível atender a toda demanda.

Em circunstâncias normais, os moinhos já operam com capacidade quase total e levaria meses para investir em novas linhas de produção.

Além disso, o problema gira em torno das embalagens: as fábricas de papel, que produzem os sacos e os imprimem, também não conseguem acompanhar.

Sem mencionar as medidas de distanciamento para proteger os funcionários do coronavírus, ou a ausência de muitos deles devido ao isolamento.

No ano passado, o Reino Unido chegou a acumular estoques diante do risco de um Brexit sem acordo que poderia ter cortado o fornecimento de grãos do continente europeu.

Essas reservas foram usadas antes da crise da saúde, quando a vitória de Boris Johnson nas eleições de dezembro deixou de lado o fantasma de uma saída brutal da União Europeia.

A demanda abundante não significa, necessariamente, porém, grandes lucros para os produtores.

Eles alegam que seus preços não mudaram, mas que o valor do trigo subiu, devido à queda no valor da libra – as matérias-primas são negociadas em dólares – e à forte demanda.

Para eles, a situação deve se normalizar em um tempo relativamente curto, já que algumas redes de padarias, como a Greggs, com 2.000 lojas espalhadas pelo país, fecharam temporariamente devido à pandemia.

Redes de restaurantes também fecharam, o que ajudará a reduzir a demanda.

Waugh insiste em que não há escassez estrutural neste país autossuficiente em farinha e com abundância de grãos para moer.