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Coordenador de fronteiras não crê que fugitivos do Paraguai estejam no Brasil

O coordenador Geral de Fronteiras do Ministério da Justiça, Eduardo Bettini, afirmou considerar “muito difícil” que fugitivos da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, tenham entrado no Brasil. Ao todo, 75 detentos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) escaparam do presídio no domingo, 19. Segundo o Ministério do Interior paraguaio, seis deles já foram recapturados, apenas um no território brasileiro.

“Já havia um dispositivo todo montado na fronteira, antes de a fuga ter ocorrido. Acho muito difícil que eles tenham passado por tantas barreiras sem serem notados por policiais bem treinados que já estavam em operação na área”, afirmou Bettini.

Um dos presos, no entanto, foi capturado do lado brasileiro. Eduardo Alves da Cruz, de 30 anos, foi parado em um bloqueio na cidade de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Pedro Juan Caballero.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil reúne na tarde desta quarta-feira, 22, em Foz do Iguaçu, no Paraná, todos os órgãos policiais estaduais e federais que atuam na captura dos fugitivos. Serão definidos, por exemplo, quando e onde atuarão os helicópteros e as embarcações no combate ao crime organizado.

“Não precisamos inventar nada de novo para trabalhar na captura dos presos porque existia uma operação em andamento e, daí, o que fizemos, foi reforçar a operação que já existia”, afirmou o coordenador do CIOF. “Nesta reunião serão feitos os ajustes na operação.”

Programa Vigia

O governo brasileiro mantém na região o programa Vigia, uma parceria entre as polícias federais, estaduais e as Forças Armadas para aumentar a fiscalização e a repressão contra os crimes transfronteiriços, como contrabando, tráfico de drogas, armas e munições. Iniciado em abril do ano passado, o programa prevê operações integradas, aquisição de equipamentos, capacitações e bases operacionais com integração de sistemas.

Um das ações já realizadas neste período foi a Operação Hórus. Segundo Betitini, um dos braços desta operação, montada na região de Guaira, no oeste do Paraná, bloqueou o fluxo de cerca de 200 lanchas que atravessavam todas as noites o Rio Paraná, na divisa entre Brasil e Paraguai, transportando mercadorias ilegais.

Desde setembro, o governo vem ampliando o esquema de patrulhamento para outros Estados e já atua de forma semelhante em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas. O objetivo é estender a ação para 11 Estados fronteiriços.

Segundo Bettini, o governo contabiliza “números positivos” após a integração de esforços para combate ao crime nas fronteiras. Conforme dados do programa Vigia, desde abril de 2019, 223 armas foram apreendidas, além de 51 toneladas de agrotóxicos, 30 milhões de maços de cigarro, 609 veículos, 110 embarcações, 86,9 toneladas de drogas – a maior parte maconha.

“Desde que se iniciou o programa Vigia, houve aumento de 40% de apreensões em drogas em Mato Grosso do Sul. Um recorde histórico de apreensões”, disse Bettini, lembrando que isso só foi possível graças ao trabalho integrado.

Dados do Ministério da Justiça mostram que o volume de prejuízo causado ao crime organizado alcançou R$ 7 bilhões , motivado pelas apreensões de drogas, armas, cigarros, caminhões, motos, pirataria e produtos falsificados.

“Acabou o tempo de operações temporárias. Agora, a fiscalização é permanente, com os agentes integrados, de olho na fronteira”, disse Bettini. “Queremos fragmentar as organizações criminosas, reduzir a vitalidade financeira delas e é isso que estamos fazendo”, completou.

Para 2020, a meta do Ministério da Justiça, de acordo com o coordenador do CIOF, é triplicar o programa Vigia. Hoje, por exemplo, 215 policiais estão trabalhando por dia no projeto, distribuídos em vários Estados. A meta é passar para pelo menos 700 policiais por dia até o fim do ano.

“Com este tipo de ação permanente, estamos sendo proativos no combate ao crime organizado e não reativos, como acontecia antes”, disse ele, citando, ainda que o Estado está se fazendo presente em muitas regiões de fronteira, o que acaba coibindo a criminalidade.