Finanças

Conversa ao pé do ouvido no BNDES

Gustavo Montezano assume o banco prometendo reduzir seu tamanho e seu escopo de atuação

Crédito: Fátima Meira/Futura Press

Amigos, amigos...: Montezano abraça Paulo Guedes, ministro da Economia. Divergência sobre prioriades (Crédito: Fátima Meira/Futura Press)

O engenheiro Gustavo Montezano é um dos mais jovens presidentes do BNDES. Aos 38 anos, com mestrado em economia e 17 anos de mercado financeiro, ele terá de se desdobrar para fazer frente a suas atribuições. Em seu discurso de posse na terça-feira 16, Montezano colocou como primeira prioridade abrir uma propalada “caixa-preta” do BNDES, bandeira eleitoral de Jair Bolsonaro. A seguir viriam a venda de até R$ 100 bilhões em participações acionárias, a devolução de recursos ao Tesouro e a elaboração de um plano trianual de atuação. O economista também pretende, ao menos em espírito, transportar o edifício do centro do Rio de Janeiro para o coração financeiro paulistano. “Os bancos de investimentos da Faria Lima prestam serviços de abertura de capital, fusões e aquisições e emissão de debêntures” disse Montezano. “Vamos fazer algo parecido com o Estado brasileiro.”

O presidente do BNDES reporta-se ao Ministro da Economia. Presente ao evento, Paulo Guedes sugeriu, em seu discurso, que Montezano revisasse sua lista. A primeira prioridade, disse Guedes, é devolver dinheiro aos cofres públicos. O BNDES terá de remeter R$ 126 bilhões de reais ao Erário neste ano, quase a metade dos R$ 270 bilhões prometidos até 2022. “Se o banco foi pedalado, vamos despedalar o banco. Daí a primeira meta do Gustavo, que é devolver o dinheiro para a União”, afirmou o ministro.

Enquanto se equilibra nessa bicicleta, Montezano terá de enfrentar vários desafios. O maior deles é reduzir o banco e, ao mesmo tempo, cumprir o combinado. O BNDES é o mais importante órgão de financiamento da infraestrutura. Só para este ano são R$ 70 bilhões comprometidos. Por isso, uma das primeiras conversas de Montezano, logo após a posse, foi com Tarcísio de Freitas, o ministro encarregado de desatar o nó do setor. “Acredito que o banco tem recursos para fazer isso sem precisar do Tesouro”, disse Montezano. Mas esse deve ser um assunto para outras conversas.