Finanças

Convergência de talento

Os cavalos da Fazenda Marambaia, em Correias, município de Petrópolis, tiveram que sair de suas cocheiras para dar caminho para a chegada da mais nova empresa de investimentos da Nova Economia. No lugar do alojamento dos animais, o ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual, mandou erguer o centro de tecnologia da CL Convergence, empresa que, como tudo em seu nicho de mercado, obedece a um formato totalmente novo. Em vez de entrar com uma montanha de dinheiro no mercado, a empresa entra com o talento de seus controladores, o próprio Luiz Cezar, o consultor Antoninho Marmo Trevisan e o banco francês Crédit Lyonnais, e vai buscar o capital de risco para os investimentos junto aos grandes fundos de private equity. Um supre a necessidade do outro: os fundos têm US$ 2 bilhões para investir em projetos no Brasil, mas não conseguem separar o joio do trigo e não fecham um só negócio no País há oito meses. Os sócios da CL Convergence têm a experiência em reestruturações e querem se concentrar nessa atividade, sem se transformar em fundo de investimento. Juntando as duas pontas, nasce o negócio da nova empresa.

Trevisan, Luiz Cezar e o Crédit Lyonnais definem a CL Convergence como o resultado da integração de um banco de investimento com uma empresa de consultoria. O alvo do negócio é ajudar as empresas nascidas na Internet que precisam corrigir sua rota e também guiar os grupos com raízes na Velha Economia que ainda não tiveram a coragem de dar um passo para a nova. O ex-banqueiro e Trevisan, presidente da companhia que leva o seu nome, emprestarão sua experiência pessoalmente para identificar projetos que têm chance de dar certo. ?Falta maturidade na Nova Economia e coragem para decidir na velha. Vamos agir nas duas pontas?, define Luiz Cezar. Feitas as escolhas, as empresas serão viradas pelo avesso. ?Vamos indicar executivos, mudar foco de marketing, terceirizar áreas administrativas e só então levar o projeto aos investidores?, conta Trevisan. Os grandes fundos de private equity voltados para o Brasil conhecem a proposta e já mostram interesse. Na inauguração, em Correias, há uma semana, estiveram presentes representantes de Bank of America, Chase Capital Partners, Dresdner Kleiwort Wasserstein e Boston Capital, entre outros.



As credenciais apresentadas pela CL Convergence são os currículos de seus sócios. Luiz Cezar, à frente do Pactual, conduziu reestruturações que marcaram a história de empresas do porte de Varig, Mesbla e Lacta. Deu passos em falso também, como em investimentos pessoais na Teba e na rede de lojas Benneton, mas, mesmo nos projetos mal sucedidos, acumulou uma experiência rara de se encontrar no mercado. Trevisan construiu a maior empresa brasileira de consultoria e está hoje associado ao grupo Grant Thornton. Fincou sua bandeira também no negócio de terceirização, prestando serviços de contabilidade, controle fiscal e administração de recursos humanos, entre outros. E o Crédit Lyonnais, um dos maiores bancos da Europa, tem a presença global necessária para abrir portas para a companhia no mercado internacional. Vai ser a ponte entre a empresa e os grandes investidores internacionais.

A chegada da CL Convergence, acreditam, vai reaquecer os investimentos dos fundos de private equity em projetos ligados à Internet, que esfriaram após os preços das ações derreterem na Nasdaq. Fazer investimento direto não vai ser o negócio da CL Convergence: o fundo que o Crédit Lyonnais está criando para entrar nas empresas reestruturadas terá apenas US$ 50 milhões e deverá ter participações muito pequenas, sempre bem abaixo de 10% do capital. ?Esse dinheiro servirá só para validar o projeto das empresas. Precisamos nos comprometer?, detalha Trevisan. A receita da empresa, explica, virá de comissões cobradas quando metas forem atingidas. Não há uma tabela de preços. Cada caso terá um formato. A comissão poderá ser, por exemplo, por aumento de lucros ou valorização no preço da companhia.

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A nova empresa terá à sua disposição a estrutura de seus grupos controladores. José Irigoyen, diretor-gerente de finanças corporativas do Crédit Lyonnais, em Nova York, explica que as equipes de mercado de capitais e de análise do grupo estarão a serviço da CL Convergence sempre que um projeto exigir. ?Um cliente da empresa terá nossos serviços para levantar capital ou buscar um sócio estratégico?, exemplifica. Da Trevisan, as empresas em fase de reestruturação terão todo o apoio administrativo, concentrado no centro operacional, em São Paulo. Essa divisão de tarefas fará com que a estrutura da CL Convergence seja levíssima. ?Não teremos redundância. Os custos fixos serão baixíssimos?, diz. Os contatos da Trevisan e do Crédit Lyonnais vão abrir portas também do ponto de vista tecnológico, essencial para negócios na Nova Economia. ?Vamos sempre buscar o parceiro de tecnologia mais avançada no mundo?, afirma Trevisan.