Ciência

Contágio por novo coronavírus cai na China, onde há mais de 1.600 mortos


O número de novos casos pela epidemia de coronavírus diminuiu pelo terceiro dia consecutivo na China, neste domingo (16), na China, onde já há mais de 1.600 mortos, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que é “impossível” prever como este quadro vai evoluir.

Um funcionário chinês de alto escalão considerou que o país está conseguindo controlar a epidemia, no momento em que o vírus fez sua primeira vítima fatal fora da Ásia.

Mais de 68.000 pessoas foram infectadas na China desde o início da crise, mas o número de novos casos diários tende a diminuir. Neste domingo, chegou-se a 2.009, no terceiro dia consecutivo de recuo.

“Já se pode constatar o efeito das medidas de controle e de prevenção da epidemia em diferentes partes do país”, celebrou o porta-voz da Comissão Nacional (Ministério) da Saúde, Mi Feng.

Mais prudente se mostrou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que no sábado considerou ser “muito cedo” para fazer previsões sobre a evolução da doença.

Segundo o último balanço anunciado neste domingo pelas autoridades chinesas, a pneumonia viral COVID-19 provocou a morte de 1.665 pessoas, a maioria na província de Hubei. Esta região é apontada como o foco inicial do surto, deflagrado em dezembro passado. Nas últimas 24 horas, 142 pessoas morreram.

– “Gestão cerrada” –

A província de Hubei, onde 56 milhões de habitantes estão isolados do mundo desde 23 de fevereiro, restringiu a liberdade de movimento de seus cidadãos para além da capital, Wuhan.

Povoados e cidades residenciais agora estão submetidos a uma “estrita gestão cerrada”, 24 horas por dia, o que significa que os habitantes não podem sair de suas casas até nova ordem.

As compras e a distribuição de comida e de medicamentos pode ser feita de maneira “centralizada”, diz uma diretriz provincial publicada no domingo.

No resto do mundo, a epidemia mantém o planeta em alerta, com cerca de 600 casos de contágio confirmados em pelo menos 30 países.

A ministra francesa da Saúde, Agnès Buzyn, anunciou ontem à noite a morte de um turista chinês de 80 anos hospitalizado na França desde o final de janeiro. Esta morte é a “primeira fora da Ásia, a primeira na Europa”, relatou.

Também na sexta, o Egito anunciou o registro do primeiro caso no continente africano.

O principal foco de infecção fora da China continua sendo o cruzeiro “Diamond Princess”, em quarentena em um porto do Japão, com 355 contágios a bordo confirmados. Entre eles, 70 novos casos anunciados no domingo.

Neste fim de semana, Estados Unidos, Canadá e Hong Kong decidiram evacuar rapidamente seus cidadãos a bordo (quase mil passageiros), em quarentena desde 3 de fevereiro. As 3.711 pessoas inicialmente a bordo ainda não foram submetidas a testes para estabelecer seu possível contágio.

Na China, depois de ter destituído na sexta-feira as autoridades de mais alta hierarquia de Hubei e de Wuhan, o regime comunista anunciou neste domingo sanções a funcionários de menor escalão.

“Quando se produz uma crise deste nível, isso alcança uma importância política, pois a imagem internacional da China e a legitimidade do Partido estão em jogo”, comenta o sinólogo Zhoy Xun, da Universidad de Essex (Inglaterra).

“Em geral, desde Mao, o Estado fez muito pouco pela saúde pública”, considerou Zhou. “O resultado é que o sistema de saúde é muito frágil, ineficaz, caro e caótico”, completou.