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Construção civil: Patriani foca em soluções tecnológicas e responsabilidade ambiental para chegar a faturamento bilionário

Construtora aposta em diferenciais nos empreendimentos para expandir os negócios e superar em até 10% o R$ 1 bilhão faturado no ano passado.

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OBJETIVO Valter Patriani prevê crescimento de até 10% no valor geral de vendas em 2022. (Crédito: Divulgação)

A tenção aos detalhes é um dos ensinamentos de Walt Disney para explicar o sucesso do atendimento ao cliente em seus parques nos Estados Unidos. E serve de inspiração para o fundador Valter Patriani ao gerenciar os movimentos da Construtora Patriani, em atividade no estado de São Paulo desde 2012. Em dez anos, o executivo transformou em realidade um sonho da época de CVC — referência no turismo, onde trabalhou por 35 anos — ao criar um dos principais players da construção nacional. Um negócio focado nos segmentos de médio-alto e alto padrão que chegou a R$ 1 bilhão de valor geral de vendas (VGV) em 2021, com previsão de crescimento de até 10% em 2022. “Este ano está mais duro, mas esperamos no mínimo repetir os números de 2021”, afirmou à DINHEIRO o empresário.

Para atingir o objetivo traçado para a temporada, o executivo tem focado em detalhes, que, segundo ele, têm impulsionado e agilizado as vendas. Diferenciais como gerador que garante a manutenção da eletricidade nas áreas comuns do prédio; test drive de garagem para definição antecipada do tamanho da vaga correspondente ao imóvel; ou elevador regenerativo (produz 65% da energia que consome). Atrativos que têm chamado a atenção dos clientes no momento da aquisição de uma unidade. “É necessário lembrar que a compra de um imóvel é algo que se faz duas, três vezes na vida.” Os ‘mimos’ representam no máximo 7% de aumento no preço do imóvel na comparação com os de mesmo padrão da concorrência. “O cliente entende que isso não é custo. É valor.”

A atenção dispensada aos imóveis se estende a ações ligadas ao meio ambiente. Em 2017, a Patriani foi pioneira no Brasil a instalar em cada vaga de garagem um carregador para veículo eletrificado. Isso quando os emplacamentos no segmento se mostravam praticamente irrisórios — 3,2 mil unidades, na época, contra 34,9 mil em 2021. Desde 2020, a companhia inovou também ao abrir mão das coberturas em seus empreendimentos e criar, no alto dos prédios, a fazenda solar, com a instalação de placas fotovoltaicas para a captação de energia. “É fato que as coberturas são os apartamentos de maior rentabilidade de um prédio. Em um edifício de 100 apartamentos, você sacrifica duas coberturas, mas beneficia 98 moradores.” A iniciativa, segundo ele, reduz em 50%, na média, o consumo de energia das áreas comuns.

INVESTIMENTO A Patriani promete novidades — ou outros diferenciais — para 2023. Depois de erguer uma planta industrial em Mauá (SP) para a produção de itens como marmoraria e caixilharia, parte de um investimento de R$ 50 milhões, a construtora pretende fabricar os móveis embutidos que serão entregues nos apartamentos. “A ideia é que o proprietário pegue o imóvel praticamente mobiliado. Não é legal vender parede. Legal é vender lar”, disse o empresário. As estratégias da companhia têm se mostrado acertadas. Os diferenciais nos empreendimentos e estruturas mais enxutas garantem à Patriani velocidade de vendas. De acordo com o fundador, a média do mercado hoje é comercializar 50% das unidades no lançamento, 30% durante as obras e 20% ao término — processo que pode chegar a três anos. Já a média da Patriani é de 90 dias para vender todos os imóveis.

A localização também tem sido um diferencial nos negócios da construtora. Enquanto as grandes concorrentes, como Cyrella e Ezetec, focam seus negócios em São Paulo, a Patriani tem expandido a atuação para cidades importantes que ficam a cerca de uma hora e meia da capital. Além do ABC Paulista, Campinas é um dos principais focos, onde a empresa é líder em vendas. “Campinas é a quinta maior região metropolitana do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. É maior do que a grande Porto Alegre, que a grande Fortaleza, que a grande Salvador e que a grande Recife”, disse o executivo.

Mas a visão da empresa extrapola a cidade do interior paulista, que tem 1,2 milhão de habitantes. Com empreendimentos menores, a Patriani encontra facilidade para encontrar o terreno adequado. “Em 2022, vamos comprar os terrenos onde iremos construir em 2023. É sempre assim”, afirmou o executivo. A iniciativa evita que a companhia seja muito dependente de capital. Um jeito de atuar à parte das regras do mercado. Pode chamar de inovação.