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Conheça a relação das grandes fortunas europeias com o nazismo

Empresas alemãs ou simpatizantes do nazismo tiveram íntima relação de fornecimento com o regime, e o dinheiro acumulado na época está até hoje em grandes fortunas da Europa

Conheça a relação das grandes fortunas europeias com o nazismo

A ligação do nazismo com grandes empresas é notória, com diversas marcas que existem até os dias atuais tendo em seu passado ligação íntima com o regime de Adolf Hitler. A Mercedes-Benz era a marca oficial dos carros do III Reich, enquanto Hugo F. Boss, fundador da marca que leva seu nome, era o designer dos uniformes da Alemanha nazista. Já as químicas Bayer e BASF (na época sob o nome de I.G. Farben) tem em seu currículo a terrível mancha de terem fabricado e fornecido o gás usado nos campos de concentração.

No entanto, as relações do nazismo com grandes indústrias se estende para outras marcas, com o dinheiro acumulado naquela época passado para as novas gerações, sendo parte de algumas das maiores fortunas da Europa nos dias de hoje. Caso da família Reimann, dona da holding JAB que detém as redes de restaurantes Krispy Kreme, Panera Bread e Pret a Manger. Albert Reimann e Albert Reimann Jr., eram dois alemães entusiastas do nazismo, que utilizaram mão de obra escrava em troca de ajuda ao regime. Hoje a fortuna da família está estimada em US$3,7 bilhões.

Outra empresa cuja fortuna remonta ao nazismo é a francesa L’oréal, cujo fundador Eugène Schueller era um notório anti-semita e que durante o reich era codiretor da empresa de tinta e vernizes Valentine, que em parceria com a alemã Druckfarben fechou contrato para fornecimento de material para a marinha alemã. Entre 1940 e 1943, seus registros de impostos mostraram que sua fortuna aumentou quase dez vezes. Hoje sua neta, Françoise Bettencourt Meyers é uma das mulheres mais ricas do mundo ao ter herdado participação de quase US$ 50 bilhões da gigante de cosméticos.

Uma das principais moedas de troca dos nazistas para as empresas era a mão de obra escrava, oriunda de prisioneiros de guerra, políticas anti-semitas e anexação de territórios estrangeiros. Ela foi usada pela BMW, que em contratos com o governo de Hitler, estabelecia a troca de escravos por armas que a empresa fabricava na época. Maior acionista da montadora atualmente, a família Quandt também possuía na época a Accumulatoren Fabrik AG, que realizava a troca dos prisioneiros por baterias, armas e munição para o exército alemão. Os Quandt se tornaram acionistas majoritários da BMW após a guerra, e atualmente Stefan Quandt, tem uma fortuna estimada em US$ 17,3 bilhões.

Hoje um dos maiores grupos de mídia alemão, a Bertelsmann teve sua grande ascensão durante o final da década de 1920, quando começou a publicar textos de conteúdos anti-semita e nazista aproveitando a onda que iria varrer a Alemanha e culminar com o governo de Hitler. Ela se tornou a principal fornecedora de material escrito para o exército alemão com versões de bolso para soldados, e segundo um relatório encomendado pela própria empresa em 1998, utilizou mão de obra escrava de judeus para aumentar sua margem de lucro. Hoje a vice-presidente do grupo é Elisabeth Moon, filantropa e nora de Heinrich Moon, que começou a relação com o nazismo apesar de não ter sido membro do partido. Hoje ele trabalha para reparar erros do passados e em 2000 juntou-se a mais de 6 mil empresas alemãs para realizar um pagamento coletivo de US$ 4,5 bilhões a pessoas que foram vítimas de trabalhos escravos durante o III Reich.