Negócios

Conheça a energytech brasileira que multiplica de faturamento ano a ano

Energitech brasileira Solstar investe R$ 5 milhões em centro de pesquisas e planeja faturar R$ 1,3 bilhão em 2025.

Crédito: Eloi Omella/Getty Images

RETORNO VANTAJOSO Uma casa que consome R$ 600 mensais com energia precisaria de três anos para pagar os R$ 24 mil necessários para instalação de um projeto fotovoltaico. (Crédito: Eloi Omella/Getty Images)

Existem 15 mil CNPJs do setor de energia renovável no Brasil. São em sua maioria instaladores e vendedores de equipamentos, algumas com serviço de homologação junto à distribuidora. A empresa Solstar começou assim em 2015, quando havia em todo o País, dependendo da fonte de informação, entre algumas centenas e pouco mais de 1 mil (residências e empresas) com sistemas fotovoltaicos. Não, você não leu errado. Sete anos atrás, eram ínfimos (no máximo 0,002%) dos 72 milhões de domicílios brasileiros, segundo o IBGE. Hoje estima-se que 1 milhão de imóveis funcionem com placas fotovoltaicas. Ainda é pouco: 1,38%. A estimativa da Solstar é de que chegue a 40% até 2040.

A perspectiva considera o mercado e o crescimento da empresa. Em 2018, a receita foi de R$ 6 milhões. Em 2021, R$ 100 milhões. Este ano o plano é faturar R$ 200 milhões. E em 2025, R$ 1,3 bilhão. “Estamos colocando nossa tecnologia para fora, a favor das pessoas, para sermos uma autoridade no setor, com inovações e diferenciais”, disse o CEO Matheus Bazan, com passagens por Whirlpool e pelo setor de vinhos antes de entrar na Solstar como investidor anjo e se tornar o cabeça da companhia desde 2019.

Para suportar essa expansão, investimentos têm sido feitos. O mais recente deles, R$ 5 milhões na criação do SolLab, centro de pesquisas e desenvolvimento com foco em inovação para o segmento energético. Com ele, a empresa visa ampliar seu portfólio e trazer novidades na geração de energia. Trabalha atualmente em projetos de automação e em uma patente de miniturbina eólica.

Germano Lüders

“Estamos colocando nossa tecnologia para fora, a favor das pessoas, para sermos uma autoridade no setor” Matheus bazan, CEO da Solstar.

A energytech possui atualmente 6 mil pontos sob seu gerenciamento. No Sudeste estão 705 das instalações. As residências são 90% da base de clientes. Os outros 10% são contratos B2B, mas que garantem 35% da receita da startup. A meta da companhia é fechar em 10 mil pontos até dezembro. Para isso, há um forte marketing digital e 35 parceiros regionais espalhados pelo território nacional, com potencial para chegar a 250.

A estratégia é convencer novos clientes a fazerem contas. Segundo Bazan, em uma casa que consome R$ 600 mensais de energia, um projeto fotovoltaico custa em torno de R$ 24 mil. A garantia de funcionamento é de 30 anos. “Em três anos e meio a pessoa gastaria essa quantia na conta de luz tradicional. Sobrariam mais de 26 anos para praticamente não pagar mais por energia. Não é uma venda complicada”, disse o executivo. Há ainda uma linha de crédito própria da empresa para financiar novos projetos. Assim, os clientes não precisam buscar financiamentos no mercado financeiro tradicional.

A startup também se diferencia por oferecer uma manutenção ativa. “Não esperamos o contato com o cliente.” Com o aplicativo da empresa, lançado recentemente, é possível gerenciar cada um dos pontos sob sua responsabilidade, com aplicação de machine learning. Se identificada geração de energia abaixo da média, a equipe entra em contato com o proprietário.

MAPEANDO O CLIENTE Segundo o executivo, a Solstar trabalha para avançar em soluções de casa inteligente. Mas diferentemente das smart homes atuais, baseadas muito em aplicações para entretenimento, o plano é ir além. “Queremos chegar ao ponto de o cliente saber quanto gastou durante o banho e com uma luz acessa, se há vazamentos de gás”, afirmou Bazan. “Já é possível fazer isso, mas vamos usar dados para melhorar a performance de cada um, de uma maneira completa”.

E para alcançar este objetivo a energytech tem conversado com potenciais investidores. O oibjetivo é receber aportes e seguir se desenvolvendo. A expectativa agora é estar mais capitalizada ainda neste terceiro trimestre e investir em equipes soluções adequadas ao mercado brasileiro. Em um futuro não muito distante, os planos são audaciosos. Mais do que gerar energia sustentável para consumo próprio dos clientes, querem gerar créditos para serem vendidos ou usados no mercado. É um projeto ainda embrionário, que a Solstar vê em um horizonte claro como os raios solares.