Não se sentir reconhecido no ambiente de trabalho é um dos problemas mais associados aos pedidos de demissão. Segundo uma pesquisa da empresa de tecnologia para recursos humanos Pulses, feita com mais de 145 mil trabalhadores, o reconhecimento é o fator que mais impacta na propensão à demissão para a Geração X, ou seja, pessoas que têm entre 40 e 60 anos hoje.

“O reconhecimento é um elemento essencial para o ser humano”, avalia Renato Navas, Head de People Success da Pulses. 

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“Quando a organização não traz feedback de qualidade e de forma frequente, não oferece propostas de desenvolvimento, possibilidades de participação em projetos relevantes, autonomia, ou celebra as conquistas dos colaboradores, por exemplo, eles tendem a se sentir pouco valorizados. Isso acaba gerando uma frustração profissional que pode acabar culminando em um desligamento voluntário”, afirma ele.

Como conquistar reconhecimento

Para evitar que a demissão seja o único caminho para quem não consegue se sentir valorizado no ambiente de trabalho, Gabriel Kessler, CGO da Dialog, startup que desenvolve uma plataforma de soluções focada no engajamento do colaborador, e Luciano Lisboa, consultor executivo de RH da Sevensete dão algumas dicas para que esse reconhecimento aconteça.

Engaje

“Um dos grandes desafios das organizações ainda é conquistar o engajamento de suas equipes. Por isso, o colaborador que quer se destacar no ambiente de trabalho precisa engajar”, diz Kessler.

Segundo ele, um profissional engajado é sinônimo de atenção, dedicação e produtividade. “Os gestores sabem que um colaborador engajado traz mais resultados. E, no final, é isso que as empresas querem: melhorar sua performance e crescer cada vez mais no mercado”.

Alinhe-se à cultura organizacional

Se mostrar alinhado à cultura corporativa também é relevante. “As empresas valorizam quem está disposto a vestir a camisa, mas isso só é possível se o colaborador conhecer os propósitos da marca, fortalecer as estratégias da companhia e se portar de acordo com os valores corporativos”. 

Para Kessler, é importante ter em mente que os profissionais se destacam quando mostram que podem contribuir para o avanço da organização.

Exercite a voz ativa

A participação nas ações internas da empresa é fundamental para que o profissional seja notado e, consequentemente, se destaque perante os colegas. “Isso se torna muito mais fácil quando a empresa possui um canal de comunicação aberto, que além de transmitir a informação também permite que as pessoas se comuniquem e interajam entre si”, explica o CGO da Dialog.

“Os gestores querem ouvir o que o colaborador tem a dizer, mas isso só é possível quando a empresa cria meios para que o profissional saia do anonimato”, pondera.

Transparência

Da mesma forma que a organização precisa alinhar expectativas e definir metas, os colaboradores também precisam se comunicar melhor com seus líderes a fim de sinalizar seus anseios profissionais. “Estamos falando da criação de vínculos de confiança. A transparência deve existir de forma bilateral entre empresas e colaboradores”, fala Kessler.  

O profissional precisa se sentir seguro para compartilhar com a liderança a vontade de investir em sua carreira. Por isso, é importante avaliar se existe esse ambiente dentro da sua empresa.

Peça feedback

Lisboa indica que o funcionário nunca deixe de conversar com seu líder sobre seu desempenho quantitativo e qualitativo. É importante que o colaborador tente obter este feedback do seu gestor.

“Se alguma entrega ficou abaixo do esperado, analise com o líder as causas e motivos. Avalie: ‘Será que os motivos são apenas competências ou aconteceu algo no meio do caminho que não permitiu a sua melhor performance?’”, indica.

Analise o feedback

Ao receber uma devolutiva, observe o feedback do seu líder, continua Lisboa. “Entenda o que falta para você receber o reconhecimento que merece e para você crescer na organização”, orienta.

“Analise o feedback e se seu superior apresentar dados e argumentos que não justifiquem o seu reconhecimento, então é hora de você se testar e avaliar outras oportunidades no mercado”, aponta o consultor executivo.