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Como evitar o burnout e manter o equilíbrio emocional durante a pandemia

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Carlos Aldan é CEO do Grupo Kronberg, Master Assessor em Inteligência Emocional na Califórnia, Membro do Conselho Consultivo da Harvard Business Review, no EUA, e MBA pela Hull University, na Inglaterra (Crédito: Divulgação)


O burnout, ou esgotamento profissional, é hoje classificado como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e definido como síndrome psicológica emergente. É uma resposta prolongada aos fatores que provocam estresse no ambiente de trabalho. As três dimensões principais dessa resposta são a exaustão insuportável, sentimento de cinismo e desinteresse pelo trabalho, além de uma sensação de ineficácia e falta de realizações.

Períodos prolongados de estresse, como o que estamos vivendo em decorrência do novo coronavírus, podem nos tornar mais suscetíveis ao esgotamento profissional mesmo trabalhando em casa. Porque as reuniões continuam, os membros de comitês de crise trabalham muitas horas, o medo e a ansiedade provocados pelo COVID-19, pelos problemas de caixa, redução de salário e perda de emprego nos colocam em estado permanente de estresse.

As condições adversas vividas no isolamento social nos fragilizam e podem contribuir diretamente para o esgotamento profissional, mas não são as principais causas da doença. Estudos recentes da Universidade da Califórnia identificam outros fatores que também podem levar ao burnout:

Carga de trabalho
Quando a quantidade de trabalho é compatível com a capacidade do indivíduo, ele pode ser executado com eficácia. E o descanso e a recuperação são possíveis. Mas quando a pessoa se sente cronicamente assoberbada, as oportunidades para recuperar o equilíbrio desaparecem.

Percepção de falta de controle
O sentimento de falta de autonomia, de recursos necessários para executar suas atividades e de uma voz ativa nas decisões que impactam sua vida profissional afetam o bem-estar.

Recompensa e reconhecimento
Quando os motivadores extrínsecos e intrínsecos não estão sendo endereçados de forma compatível com o trabalho e os resultados.

 Clima organizacional
Os colegas de trabalho, o grau de apoio recebido e o nível de confiança da equipe influenciam o bem-estar no trabalho.

Equidade
O tratamento recebido é igual ao que os colegas recebem? É justo? Outros membros da equipe são reconhecidos por suas contribuições, mas o gestor não nota seu trabalho?

Incompatibilidade de Valores
Se seus valores são incompatíveis com os de sua organização, a sua motivação intrínseca será impactada negativamente.

Quem é mais suscetível ao burnout
Pessoas fragilizadas física e emocionalmente e com a autoestima e amor próprios afetados se tornam mais susceptíveis ao esgotamento profissional. A maneira como as pessoas encaram o estresse também determina o grau de suscetibilidade aos inevitáveis problemas da vida, de forma geral, e no ambiente de trabalho, especificamente.

O estresse é necessário para nossa saúde, pois nos dá energia e aumenta nossa produtividade, mas o chamado estresse tóxico, de forma continuada, é extremamente prejudicial à saúde. O hormônio do estresse é o cortisol. Recomendamos um teste de cortisol. Caso esteja acima do normal, isso pode significar que você esteja no nível tóxico de estresse.

Para ajudar você a lidar com os principais fatores de estresse que levam ao burnout, preparei algumas dicas importantes.

Veja a seguir:

  1. Durma no mínimo sete horas toda noite, idealmente oito horas (as células gliais do cérebro precisam desse tempo para limpar as toxinas produzidas durante o dia). Caso tenha dificuldade, pratique yoga e meditação regularmente. Desligue a TV, computador e telefone uma hora antes de seu horário de ir para a cama;
  2. Pratique mindfulness, engaje-se no momento presente, conecte-se com as pessoas. Invista tempo e energia para se socializar com familiares e amigos;
  3. Delegue tarefas;
  4. Aprenda a dizer não sem gerar constrangimentos, mal-estar ou repercussão negativa para sua posição. Diga ao seu chefe, por exemplo: “Estou com essas prioridades que me ocupam mais do que o tempo disponível de trabalho; no lugar de qual atividade você quer que eu coloque essa nova tarefa que me pediu?”;
  5. Abandone o perfeccionismo. Aprenda a reconhecer quando perde tempo querendo fazer um trabalho “perfeito” em vez de simplesmente completar a tarefa, o que já seria uma importante realização. Preste atenção ao seu progresso e identifique quando conseguiu gerenciar suas tendências ao perfeccionismo. Seja mais flexível com seus padrões, ajustando-os aos diferentes contextos e resultados esperados. Os padrões durante uma crise dessa proporção não podem ser os mesmos de tempos “normais”.

Venceremos a batalha contra o coronavírus. Evitando o esgotamento profissional, pouparemos mais vidas porque estaremos menos fragilizados e suscetíveis ao vírus. Além disso, quando a pandemia passar e for possível retomar a rotina normal de trabalho, todos vamos precisar de muita energia e saúde para arregaçar as mangas e recuperar as perdas provocadas pelo maior desafio já enfrentado pela nossa geração.

 

Carlos Aldan é CEO do Grupo Kronberg, Master Assessor em Inteligência Emocional na Califórnia, Membro do Conselho Consultivo da Harvard Business Review, no EUA, e MBA pela Hull University, na Inglaterra.