Como entender o paradoxo do empresariado bolsonarista

Como entender o paradoxo do empresariado bolsonarista

Manifestação pelo impeachment de Bolsonaro na Avenida Paulista, no sábado (24). Empresas que seguem apoiando o presidente correm risco de ficar com imagem desgastada

No mundo dos vinhos, o chamado Paradoxo Francês foi uma expressão criada no século 19 para definir a aparente contradição entre os hábitos de consumo e o estilo de vida na França – com alimentos ricos em gordura, altos índices de tabagismo e sedentarismo – em contraste com o baixíssimo grau de doenças cardíacas, que faz da população francesa uma das mais longevas da Europa. Lá, a expectativa de vida supera 82 anos. Nesse caso, o vinho tinto é o mocinho.

No campo político-empresarial brasileiro, atualmente há um certo paradoxo ainda a ser decifrado. Parte da elite produtiva do País apoiou, financiou e fez campanha em favor do presidente Jair Bolsonaro. Tudo isso apesar dos seus discursos antissociais, autoritários, inapropriados ao diálogo e com posições contrárias à proteção de minorias e do meio ambiente serem o oposto do que os mesmos empresários pregam em suas companhias. É a prova de que o ESG (sigla em inglês para social, ambiental e governança) não passa de jogada de marketing na maioria das empresas.

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Em busca de longevidade nos negócios, o empresariado tomou veneno. O elixir apresentado como neoliberal – que nas mãos do atual governo de liberal não tem nada – contamina a economia, empurra a competitividade a mais algumas décadas perdidas e intoxica a reputação e a credibilidade do Brasil em todo o mundo.

Cada ameaça de golpe militar defendida pelo presidente, cada ironia com as milhares de mortes na pandemia, cada interferência em estatais, e tantas outras burradas do atual inquilino do Palácio do Planalto, tem a marca d’água daqueles que bancaram publicamente o ex-capitão. Alguns insistem no apoio, em garupas de moto e vídeos nas redes sociais. Mas é provável que muitos estejam hoje, em suas salas de portas fechadas, ruminando em secreto o erro e o arrependimento.

Para os que têm memória curta, apenas um rápido refresh: Meyer Nigri (Tecnisa), Sebastião Bonfim (Centauro), Elie Horn (Cyrela), Afrânio Barreira (Coco Bambu), Luciano Hang (Havan), Junior Durski (Madero), Edgard Corona (Bio Ritmo), Flavio Rocha (Riachuelo), entre tantos outros nomes que, para o bem ou para o mal, não serão esquecidos.

O paradoxo imaginário do empresariado bolsonarista, que propaga bons modos e chancela a má política, se mostra, no fim das contas, apenas uma contradição entre o que se prega e o que se pratica.

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