Meio ambiente

Comércio mundial de vida silvestre afeta uma em cada cinco espécies

Comércio mundial de vida silvestre afeta uma em cada cinco espécies

Um contrabandista mostra um saco de escamas de pangolins em perigo de extinção durante uma conferência de imprensa em Banda Aceh, na Indonésia, em 21 de agosto de 2019 - AFP/Arquivos

Mais de 5.500 espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis são comercializadas no mercado mundial de animais, um volume que é aproximadamente 50% mais alto que as estimativas anteriores, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science.

O comércio legal ou ilegal de vida silvestre, seja como animais de estimação ou para produtos de origem animal, é um indústria bilionária e reconhecida como uma das ameaças mais graves para a biodiversidade.

Mas ainda não se compreende a magnitude do alcance deste comércio.

A pesquisa de cientistas da Universidade da Flórida e da Universidade de Sheffield descobriu que as espécies ameaçadas e em perigo estavam desproporcionalmente representadas.

Em geral, são comercializadas 5.579 das 31.745 espécies de vertebrados, ou 18%.

Entre os mamíferos, a quantidade chega a 27% e os animais são utilizados principalmente para elaborar produtos.

Os anfíbios e répteis são vendidos com maior frequência como animais de estimação exóticos ou para zoológicos, enquanto 23% das espécies de aves são comercializadas tanto como animais de estimação como para uso medicinal.

Os autores preveem que o comércio futuro, tanto legal como ilegal, adicionará 3.196 espécies à lista, principalmente ameaçadas ou em perigo de extinção, em função das similaridades com as espécies atualmente exploradas, por exemplo o pangolim africano, que começou a ser explorado depois que os pangolins asiáticos se tornaram mais difíceis de encontrar.

“Com frequência, as espécies são marcadas para conservação só depois que é documentada uma diminuição severa”, concluiu o estudo.