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Comércio de smartphones na China retrai 20% em fevereiro

Para analistas, a desaceleração da economia, a alta nos estoques e a falta de inovação das companhias de tecnologia influenciam a baixa

Comércio de smartphones na China retrai 20% em fevereiro

Depois da retração no comércio de carros pelo oitavo mês seguido, as companhias de tecnologia móvel também estão sofrendo no mercado chinês. Segundo a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações (CAITC, na sigla em inglês), as vendas de smartphones caíram 20% em fevereiro deste ano em comparação ao mesmo período de 2018, o pior índice para o mês desde 2013.

O comércio no segundo mês do ano é tradicionalmente fraco pelas celebrações do ano novo chinês, porém, a retração em diversos outros segmentos econômicos e a instabilidade causada pela falta de resolução da guerra comercial com os Estados Unidos reacendem o sinal de alerta.

Para analistas, uma série de fatores está influenciando o mercado de smartphones no país asiático, como uma desaceleração da economia, alta nos estoques e falta de inovação das companhias de tecnologia.

“Há uma falta de revolução nos produtos. Agora, os preços são muito altos e os ciclos de vida são estendidos porque a tecnologia existente é boa o suficiente”, afirmou Neil Campling, chefe de pesquisa de tecnologia, mídia e telecomunicações da Mirabaud Securities à CNBC.

A Apple deve ser uma das mais afetadas pelo prolongado mau humor do mercado na China. A companhia registrou queda de 27% no primeiro trimestre fiscal deste ano, encerrado em dezembro de 2018, e ainda sofreu boicotes e teve o valor dos seus produtos reduzidos pelos lojistas do país.

O interesse dos chineses nos produtos pela companhia fundada por Steve Jobs também parece ter diminuído. O número de pesquisas por iPhone no site de buscas Baidu caiu 48% no último mês.

A empresa ainda registrou queda de 27% nas vendas da China no último trimestre de 2018, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A produtora do iPhone gerou US$ 13,1 bilhões entre setembro e dezembro do ano passado, quase US$ 5 bilhões a menos do registrado em 2017, quando as vendas resultaram em US$ 17,9 bilhões.