Economia

Com retração econômica em 2020, Brasil perto de outra ‘década perdida’

Com retração econômica em 2020, Brasil perto de outra ‘década perdida’

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em 5 de fevereiro de 2021 - AFP

O Brasil anunciará nesta quarta-feira (3) uma das maiores retrações econômicas anuais de sua história, prevista em mais de 4% em 2020, fechando uma nova “década perdida”, e enfrenta este ano a “volatilidade e incerteza” por causa de sua gestão da pandemia, segundo analistas.

A queda da principal economia latino-americana foi de 4,2%, segundo estimativa média de 40 especialistas consultados pelo jornal Valor Econômico. Se confirmada, marcaria o terceiro maior colapso anual desde o início do século XX, após o de 1981 (-4,25%) e 1990 (-4,35%), na chamada “década perdida” da América Latina, atingida pela crise da dívida.

O Brasil tentava se recuperava da crise de 2015-2016 (quando seu PIB teve retração de 6,7% em dois anos), mas a pandemia do novo coronavírus, que já deixou mais de 255 mil mortos no país, frustrou esses esforços.

Se as projeções se confirmarem, o crescimento médio anual do Brasil no período 2011-2020 será de 0,29%, inferior ao de 1981 a 1990 (1,66%).

A queda registrada no último ano foi bem menor do que a prevista pelo FMI em junho (-9,1%) e do que a de outras economias regionais, como México (-8,5%) ou Argentina (-10%), graças à ajuda concedida pelo governo de abril a dezembro para um terço dos 212 milhões de brasileiros.

Assim, o país saiu com força da recessão no terceiro trimestre (+7,7%) e registrou no quarto, de acordo com as projeções, uma expansão de 2,8% frente ao trimestre anterior.

Mas o auxílio foi interrompido em janeiro, e junto com ele também se reduzira a atividade econômica, tudo isso em meio a uma nova fase de agravamento da doença – que pela primeira vez deixa mais de 1.100 mortes por dia, em média semanal.

Os analistas preveem uma nova queda do PIB no primeiro trimestre deste ano, seguido de um segundo trimestre de dúvida e uma recuperação apenas no segundo semestre, com fechamento do ano com expansão de 3,29%, de acordo com as projeções do mercado.

Mas a retomada econômica depende do avanço da campanha de vacinação, ameaçada pela falta de suprimentos provocada, segundo analistas, pela caótica gestão da pandemia por parte do governo de Jair Bolsonaro.

“O crescimento em 2021 dependerá muito do ritmo e da eficácia da vacinação”, afirma o Boletim Macro de fevereiro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE).

O país se depara com um cenário de “heterogeneidade, volatilidade e incerteza” e “possíveis atrasos no processo de imunização da população, piora na percepção do risco fiscal e os desafios do cenário político são alguns fatores que podem abalar a frágil retomada econômica”, acrescenta.

O consultor Sergio Vale, da MB Associados, também alerta que, por conta de uma retomada inflacionária, o Banco Central (BCB) pode aumentar sua taxa básica em março, que se mantém na baixa histórica de 2% desde agosto para estimular o consumo e o investimento.

Vale ressalta que a prudência dos investidores aumentará, após a decisão de Bolsonaro de substituir o presidente da Petrobras, provocando o colapso das ações da empresa, que é controlada pelo Estado, mas tem capital aberto.

Nesse contexto, em 2021 “as commodities serão o carro-chefe”, as matérias-primas exportadas, impulsionadas pela demanda chinesa e pela desvalorização do real frente ao dólar, explica Vale.

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