Ciência

Com recorde de mortes, Paraguai vive seu pior momento da pandemia

Com recorde de mortes, Paraguai vive seu pior momento da pandemia

(ARQUIVO) Profissionais de saúde atendem pacientes com covid-19 na unidade de terapia intensiva do Hospital das Clínicas de San Lorenzo, Paraguai, em 16 de março de 2021 - AFP/Arquivos

Com hospitais lotados há semanas, a pandemia de covid-19 atingiu seu pico mais alto no Paraguai, com 78 mortes nas últimas 24 horas, número que, de acordo com as projeções, pode chegar a 100, alertaram as autoridades de saúde nesta segunda-feira (12).

“O aumento no número de casos foi sustentado e acelerado desde março”, disse à AFP Christian Von Lucken, especialista em estatística do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.

“Na primeira projeção que foi feita em meados de março, viu-se a tendência de crescimento e estimava-se que até julho seria atingida a média de 100 mortes por dia. Mas agora os dados indicam que até 20 de abril estaríamos chegando a 90 mortes por dia”, explicou.

“O Paraguai enfrenta dificuldades pelo número de testes diários, que é relativamente baixo. A verdade é que o sistema está saturado e sobe a uma velocidade assustadora”, acrescentou.

Com uma população de 7,1 milhões de habitantes, o país sul-americano superou 235,2 mil infecções, enquanto o número de mortos chegou a 4.827, com um recorde de 78 mortes no domingo. A média de testes diários é de 6.000, segundo o Ministério da Saúde.

Para Ruth Garay, parente de uma vítima da covid-19, este é o pior momento da pandemia.

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“Estamos perdendo entes queridos todas as semanas. Todos nós estamos passando por situações muito complicadas. Ouvimos de amigos, parentes, vizinhos que não têm medicamentos, que não há um bom atendimento”, disse a jovem à AFP em lágrimas.

Os familiares dos pacientes vão todos os dias aos hospitais, onde alguns até acampam, e organizam rifas ou vendem assados e galinhas na rua para conseguir o dinheiro necessário para comprar os medicamentos.

– Situação crítica –

Celeste Chávez, enfermeira-chefe no Hospital de Clínicas, nos arredores de Assunção, afirmou que “vive-se uma situação muito crítica porque o número de pacientes” que podem atender já foi ultrapassado.

“Todos os que vêm já chegam em estado delicado. Temos capacidade para 15 pacientes internados, que já foi ultrapassada. Temos 21 pacientes internados”, disse Chávez, que, no entanto, ficou aliviada porque o hospital voltou a dispor de oxigênio centralizado.

Na semana passada houve uma crise por falta de oxigênio, cujo consumo triplicou nos hospitais de referência.

Uma iniciativa parlamentar presta assistência às famílias das vítimas, a maioria delas endividadas para cobrir despesas.

“O objetivo é amenizar um pouco essas despesas. Nem queremos criar falsas expectativas”, disse um dos promotores do projeto, o senador Stephan Rasmussen.

Com grande atraso, o Paraguai está na fase de vacinar os profissionais de saúde e no fim de semana começou a imunizar os maiores de 80 anos.

O Paraguai recebeu um total de 183.000 doses de vacinas até agora, incluindo 24.000 da russa Sputnik V , 20.000 da Coronavac, 3.000 da chinesa Sinopharm, 36.000 da AstraZeneca anglo-sueca e 100.000 da indicana Covaxi, enquanto aguarda a chegada de 4.000.000 doses sob o sistema Covax e um milhão de vacinas Sputnik V, de acordo com um relatório oficial.

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