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Com política ambiental desastrosa, Bolsonaro é vergonha para o Brasil e o mundo

Crédito: Antônio Cruz / Agência Brasil

Índios protestam na Praça dos Três, Poderes em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. No final de agosto, o grupo foi acompanhar a votação do marco temporal no Supremo Tribunal Federal. Para Bolsonaro, alterar o marco para demarcação das terras indígenas seria "o fim do agronegócio" (Crédito: Antônio Cruz / Agência Brasil)

Há razões de sobra para que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tenha excluído Jair Bolsonaro da lista de convidados para o Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima (MEF, na sigla em inglês), realizado na sexta-feira (17), de forma on-line. O encontro foi marcado como uma espécie de ensaio para a COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 1º a 12 de novembro, em Glasgow, Escócia.

É a segunda vez que Biden reúne líderes para tratar do clima. No primeiro encontro, em 22 de abril, o objetivo era retomar as discussões sobre o tema, abandonadas por Donald Trump. Biden abriu o encontro afirmando estar empenhado em reduzir em 50% as emissões de carbono dos Estados Unidos até 2030. Convidado a participar, Jair Bolsonano pediu apoio financeiro dos países ricos para que o Brasil avance em uma política de “neutralização climática”. Além das palavras de Bolsonaro, Biden recebeu uma carta assinada por 36 artistas do Brasil e dos EUA pedindo que nenhum acordo fosse firmado com o atual presidente brasileiro. Pelo visto, Biden levou essa recomendação a sério.



Biden pede a líderes mundiais que cortem metano em luta pelo clima

Bolsonaro não foi convidado para a reunião da sexta-feira (17) porque sua presença constrange o planeta. O Brasil não tem propostas para levar a Glasgow. Não tem uma reposta convincente para o aumento recorde do desmatamento na Amazônia. O ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é investigado pela Polícia Federal sobre seu suposto envolvimento com madeireiras ilegais e contrabando de madeira extraída do Brasil. A atual gestão incentiva invasões de terras indígenas por grileiros, garimpeiros e fazendeiros. Completamente desinformado sobre a realidade da produção de alimentos no País, Bolsonaro afirmou que uma nova definição do marco temporal para demarcações de terras indígenas “será o fim do agronegócio”.

O marco temporal é uma controvertida tese jurídica capaz de restringir os direitos constitucionais dos povos indígenas, que só teriam direito à demarcação das terras que estivessem sob sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal do Brasil. A opinião de Bolsonaro sobre o marco temporal coloca em risco a imagem de preservacionista que o agronegócio brasileiro quer construir no exterior, inclusive para poder fornecer seus produtos a mercados que priorizam a sustentabilidade.

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Embora o Brasil seja o 13º país em emissões de CO2, está no centro da agenda climática por possuir a maior floreta tropical do planeta e uma agropecuária que é líder na produção de diversas culturas. A imagem do Brasil no exterior passa pela posição oficial do governo em relação ao meio ambiente. E não exagero em afirmar que ela nunca esteve tão queimada. Essa é mais uma área em que Bolsonaro envergonha o Brasil – e o fato de não ter sido convidado por Biden só comprova que ninguém quer ouvi-lo.