Giro

Com pandemia, aumenta apetite por títulos podres nos mercados financeiros

Crédito: AFP

Fachada da Standard and Poor's, em Nova York (Crédito: AFP)

Dão mais dinheiro, porque são considerados investimentos de risco, mas seu sucesso entre os investidores é algo a se pensar em plena pandemia. A injeção de dinheiro em empresas consideradas “lixo” cresceu como espuma, nestes últimos meses, para fazer frente à crise.

A denominação dada a esses títulos de dívida “podre”, de “alto rendimento”, vem do inglês “junk bonds”, porque a nota que lhes é atribuída pelas agências de “rating” é inferior a um determinado valor.

+ Mercado financeiro prevê queda da economia em 5,31% este ano
+ Gigantes de tecnologia perdem em valor de mercado quase US$ 400 bi na semana

Em meados de agosto, as emissões dessa dívida de risco nos Estados Unidos chegavam a 274 bilhões de dólares no ano, mais do que em todo ano de 2019, conforme dados da agência Bloomberg.

A Europa registrou, por sua vez, uma “aceleração” no final do primeiro semestre, segundo a agência de classificação Fitch Ratings, atingindo 108 bilhões de euros em um ano até junho, em um mercado tradicionalmente menos desenvolvido do que o do outro lado do Atlântico.

“O apetite dos investidores por esses títulos de dívida deriva da busca por rendimento”, explica Frederic Rollin, consultor sênior de investimentos da Pictet AM.

Os “junk bonds” estão entre os poucos que oferecem rendimento no atual ambiente de juros extremamente baixos.

– Bancos centrais –

O Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) apoia as empresas rebaixadas recentemente por agências de classificação, como a automotiva Ford, ou a Occidental Petroleum, comprando suas dívidas de forma direta.

Já o Banco Central Europeu (BCE) compra dívidas de empresas bem classificadas, mas autoriza os bancos a depositarem os títulos transformados em “lixo” como fiador, quando querem tomar empréstimos.

No verão (inverno no Brasil), a imprensa financeira foi surpreendida pela empresa americana de embalagens Ball Corporation, que paga juros de 2,875% a dez anos – algo jamais visto para uma empresa, cuja qualidade de endividamento é considerada “podre”.

Em comparação, a farmacêutica Johnson & Johnson, que possui o maior grau possível (AAA), paga 1,3% por um empréstimo de prazo similar.

O forte aumento dos créditos “lixo” também está relacionado com a chegada nesta categoria de empresas, cuja atividade foi rebaixada pela covid-19. Elas são conhecidas como “anjos caídos”.

Em suas fileiras, está o francês Accor, que chegou à categoria “junk” em agosto, quando foi rebaixado pela agência S&P. O grupo hoteleiro está entre as “estrelas” do setor de títulos podres.

E, no momento em que as consequências econômicas da pandemia ainda sejam nebulosas, o que dizer das empresas, cujas dívidas continuam a ser vendidas, mas que continuam caindo, em sucessivos rebaixamentos?

“As empresas que tinham alguma dificuldade antes agora têm mais”, reconhece o o chefe de gestão de dívidas da Edmond de Rothschild AM, Alain Krief.

“É aqui que temos que fazer nosso trabalho, e não investir feito louco”, acrescenta, citando algumas locadoras de veículos, ou fabricantes de equipamentos automotivos alemães na Europa.

Veja também

+ Sandero deixa VW Polo GTS para trás em comparativo
+ Veja os carros mais vendidos em outubro
+ Grave acidente do “Cake Boss” é tema de reportagem especial
+ Ivete Sangalo salva menino de afogamento: “Foi tudo muito rápido”
+ Bandidos armados assaltam restaurante na zona norte do RJ
+ Mulher é empurrada para fora de ônibus após cuspir em homem
+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por redução de até 50% na parcela
+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev
+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA
+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?