As Melhores da Dinheiro 2019

Com o impulso de um gigante

Apoiada na extensa capilaridade das 4,7 mil agências Bradesco espalhadas pelo país, a seguradora ligada ao banco cresce bem acima da média

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Vinicius Albernaz, presidente do Bradesco Seguros: “Os resultados refletem a baixa penetração dos seguros no país e as vantagens competitivas com a escala do Bradesco” (Crédito: iStock)

O mercado de seguros brasileiro vem demonstrando resiliência, com um desempenho mais positivo que a média da economia, diz Vinicius Albernaz, presidente do Grupo Bradesco Seguros. De fato, o lucro da área de seguros, capitalização e previdência do segundo maior banco privado do Brasil cresceu 16% no primeiro semestre de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018, para R$ 3,65 bilhões. Segundo o executivo, a evolução foi em quase todas as linhas de negócios — saúde (80,5%); auto e ramos elementares (65%); vida (15,5%) e capitalização (9,1%). Diante desses resultados, o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) evoluiu para 23,6% em junho, ante 19,6% no mesmo período do ano passado.

Albernaz afirma que o resultado reflete o fato do país ainda ter uma subpenetração nos diversos produtos nas mais diferentes áreas do mercado segurador. “Para se ter uma ideia, nos seguros automotivos, que de maior uso no país, somente cerca de 30% da frota está segurada”, diz o presidente da Bradesco Seguros. Ele afirma que os números refletem também uma estratégia apoiada em vantagens competitivas, com os benefícios oriundos da sinergia com o Bradesco, que garante presença em todo o território nacional, amplificando a capilaridade. Além do atendimento pela rede de 4,7 mil agências, o grupo possui aproximadamente 200 dependências (entre núcleos de atendimento, escritórios e sucursais) e conta com a parceria com cerca de 50 mil corretores de seguros.

Com os primeiros sinais da retomada da economia, o índice de sinistralidade consolidado do grupo também trouxe noticias positivas, afirma o executivo. Houve uma queda de 3,9 pontos percentuais no primeiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado, com o indicador descendo para 70,5%. Por unidade de negócio, os melhores resultados em sinistralidade ocorreram nos segmentos de saúde e de vida e previdência, ambos com expressiva queda de 4,5 pontos percentuais.

Vinicius Albernaz / Empresa: Bradesco Seguros / Cargo: presidente / Principal realização da gestão: estratégia apoiada em vantagens competitivas, com benefícios oriundos da sinergia com o Bradesco (Crédito:Divulgação)

Na saúde, a melhora se deveu às estratégias voltadas à retenção de clientes e ao atendimento primário e mudança dos modelos de remuneração da rede, visando eficiência e qualidade assistencial, diz Albernaz. Também tiveram contribuição os programas de gerenciamento de beneficiários. Outro segmento com resultado relevante em termos de sinistralidade do Bradesco Seguros foi o de auto e ramos elementares, com melhora de três pontos percentuais. Foi o segundo semestre consecutivo de queda da sinistralidade no segmento, que vem se beneficiando de ações como reformulação da governança de aceitação de propostas e regulação de sinistros do grupo, além de investimento em tecnologia para aprimoramento dos modelos de precificação e revisão do mix de produtos.

Segundo a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), o setor cresceu 8,4% no primeiro semestre, mas a evolução tem sido irregular, com os nichos respondendo de forma distinta ao ciclo econômico e à preferência do consumidor. Entre as maiores taxas de expansão de janeiro a junho registradas na divisão de danos e responsabilidades, destaque para os ramos marítimos e aeronáuticos (32,4%) e crédito e garantias (29,5%). Em seguida, responsabilidade civil, rural e patrimonial (20,7%, 11,9% e 11,5%). Já o ramo de automóveis caiu 0,7% no semestre. O segmento de cobertura de pessoas, por sua vez, cresceu 9,3%, graças à recuperação dos planos de acumulação VGBL e PGBL (8,2% e 5,7%, respectivamente).

De acordo com a CNseg, o desempenho observado na primeira metade do ano sinaliza reversão da tendência do mercado, refletida na série de doze meses móveis. Até abril, ela estava próxima da estabilidade, avançou para 1,5% em maio e para 3,1% em junho. Considerado apenas o sexto mês do ano, a alta do setor foi de 15,6%, para R$ 21,9 bilhões. Apesar da expansão animadora, a base de comparação é fraca – no mesmo período de 2018, o país ainda sofria as sequelas da greve dos caminhoneiros.

O seguro automóvel, um dos produtos mais populares no País, segue em desaceleração. O volume de prêmio arrecadado nos seis primeiros meses do ano totalizou R$ 17,3 bilhões, representando uma baixa de 0,7% na comparação com o mesmo período de 2018. Apenas em junho, a arrecadação do segmento foi de R$ 2,8 bilhões, queda de 5,6% na comparação anual. A desaceleração, contudo, não acompanha a venda de veículos. Segundo dados da Fenabrave, de janeiro a junho houve um aumento de 11,2% nas vendas de veículos novos e de 2,1% em seminovos. “Alguns fatores podem estar contribuindo para esse desempenho, como o aumento de veículos utilizados para transporte de passageiros por aplicativos e a atuação irregular de associações e cooperativas de proteção veicular”, diz a confederação do setor.

No mercado de títulos de capitalização, o momento positivo prossegue, como reflexo do novo marco regulatório do segmento que passou a valer em abril de 2019. A legislação instituiu duas novas modalidades de apólice no mercado de capitalização – instrumento de garantia e filantropia premiável – que devem aumentar a movimentação de recursos dentro do setor. De janeiro a junho, o faturamento na capitalização foi de R$ 11,5 bilhões, um crescimento de 11,5%. Somente em junho, o faturamento foi de R$ 1,9 bilhão, 10,6% superior ao mesmo mês de 2018.