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Com foco no arco Norte, Hidrovias do Brasil quer dobrar movimentação de grãos

De olho no forte crescimento das exportações pelos portos do Arco Norte nos últimos anos, a Hidrovias do Brasil, controlada pelo fundo Pátria, tem buscado expandir sua presença na região. A posição de caixa confortável também permite à companhia mapear oportunidades no corredor logístico Sul, onde enxerga espaço para consolidação, e em geografias em que ainda não atua. Prova disso é a recente conquista de um arrendamento portuário em Santos (SP), que integrará um futuro projeto de movimentação de sal a partir do Rio Grande do Norte (RN).

Em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o vice-presidente financeiro da Hidrovias do Brasil, Fabio Schettino, afirma que os planos envolvem dobrar a capacidade de movimentação total de grãos, para 13 milhões de toneladas, com a ampliação na operação norte.

Atualmente, a atuação na região compreende uma Estação de Transbordo de Carga (ETC) em Miritituba (PA), onde comboios de empurradores e barcaças são carregados com mercadorias para exportação que chegam de caminhão pela BR-163 e saem em direção ao terminal de uso privado (TUP) da empresa em Vila do Conde (PA). Em julho, a empresa atingiu pela primeira vez plena capacidade para um mês na região com a transição do escoamento de soja para o de milho safrinha. “Nosso terminal consegue conviver, concomitantemente, com milho e soja, então não precisa fechar o programa de soja para entrar no de milho”, disse. “Na transição de safra, isso é muito importante em termos de competitividade.”

Como os principais investimentos em infraestrutura própria já foram feitos, a Hidrovias do Brasil estima que o projeto exigiria entre R$ 700 milhões e R$ 750 milhões, cerca de metade do investido até hoje na região. A decisão final sobre o montante pode acontecer no próximo ano, para que os desembolsos comecem em 2022 ou 2023, após os volumes previstos nos contratos de longo prazo (a capacidade máxima de operação, incluindo contratos de longo prazo e os fechados a cada safra) já terem sido plenamente atingidos.

O executivo destaca, ainda, que o escoamento de carga pelo Norte deve ganhar fôlego extra se os projetos federais da Ferrogrão e da concessão da BR-163 saírem do papel. De acordo com ele, os recentes esforços do governo em avançar com a pavimentação da BR-163 e em coordenar o tráfego da via já têm impactado os preços do frete mensal entre Sorriso (MT) e Miritituba (PA), e contribuíram para a queda de R$ 260/t para R$ 190/t. “A Ferrogrão tem condição de reduzir (o frete) em mais R$ 60, R$ 70 por tonelada. Se tem uma ferrovia no Brasil que é viável economicamente hoje, ela se chama ‘Ferrogrão’. E isso pelo volume de carga, Mato Grosso produz 60 milhões de toneladas de grãos por ano”, avalia.

Em outra frente, a Hidrovias do Brasil também está atenta às oportunidades para transporte de carga da região do Matopiba – fronteira agrícola entre os Estados da Bahia, do Maranhão, do Tocantins e do Piauí. Um exemplo são as obras de derrocagem do Pedral do Lourenço, que possibilitarão a navegação do rio Tocantins entre Marabá e Baião (PA) durante todo o ano. A companhia já detém um terreno em Marabá onde pretende instalar uma ETC para aproveitar a futura hidrovia que levará até Vila do Conde. “Estamos retomando agora o processo de licenciamento ambiental desse terminal”, informou Schettino.

Santos Fora do corredor logístico Norte, a companhia conquistou, neste mês, uma posição estratégica no Porto de Santos (SP), o maior do País. Em leilão federal, a Hidrovias do Brasil arrematou por R$ 112,5 milhões o arrendamento da área STS20, destinada a movimentação e armazenagem de fertilizantes e sais, na região de Outeirinhos.

A ideia é que o terminal faça parte da logística de sal que está sendo estruturada junto à Salinor no Rio Grande do Norte. Do lado dos fertilizantes, o executivo destacou que São Paulo consome 4 milhões de toneladas do produto por ano, sendo que 70% são importados por Santos. “Tem tudo a ver com o nosso negócio”, disse. “E nada impede que seja também uma rota de fertilizantes para outras regiões.” A empresa deve movimentar até 600 mil toneladas de fertilizantes neste ano pelo Arco Norte.

Em relação à região Sul, a Hidrovias do Sul enxerga espaço para crescimento orgânico e também inorgânico, via aquisições. “Acho que a estratégia é se consolidar e ganhar market share”, afirma o vice-presidente financeiro.

Os negócios que a companhia opera neste corredor compreendem a hidrovia Paraná-Paraguai (transporte de minério de ferro, grãos e fertilizantes), o Rio Uruguai (celulose) e o Terminal de Montevidéu.