Finanças

Com foco em vacinas, Bolsa fecha em alta de 1,26%, maior nível desde 21/2

Crédito: Divulgação - B3

Ibovespa está em alta há quatro pregões seguidos e recupera nível pré-pandemia (Crédito: Divulgação - B3)

Enquanto dólar e juros refletiram nesta abertura de semana as preocupações com a trajetória fiscal, o Ibovespa se desgarrou das questões domésticas e se alinhou ao otimismo em Nova York, com o anúncio de eficácia de até 90% para a vacina da AstraZeneca, ampliando o cardápio de opções de imunizantes para 2021.

Assim, o índice, como no último dia 17 (107.248,63), voltou a fechar na casa de 107 mil pontos, vista anteriormente no início de março (107.224,22 no dia 4). Nesta segunda-feira, 23, subiu 1,26%, aos 107.378,92 pontos, melhor nível desde 21 de fevereiro (113.681,32), tendo oscilado entre mínima de 106.050,48, na abertura, e máxima de 107.495,35 pontos. O desempenho foi impulsionado pelo forte avanço das ações de commodities (Petrobras PN +6,13% e ON +4,86%, ambas na máxima do dia no fechamento, com Vale ON em alta de 4,16%), em contraponto ao varejo (Carrefour -5,35%, Pão de Açúcar -3,97%, Magazine Luiza -3,22%).

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Perto do fim da sessão, em linha com movimento em Nova York, o Ibovespa ganhou um pouco mais de fôlego, após relato de que o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, planeja nomear a ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Janet Yellen para o cargo de secretária do Tesouro, de acordo com pessoas familiarizadas com a decisão. Se confirmada pelo Senado, ela será a primeira mulher a assumir a função. Yellen também seria a primeira pessoa na história a ter ocupado a liderança do Fed, do Tesouro e do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.

Como na sexta-feira, o giro na B3 ficou mais próximo à normalidade, a R$ 28,5 bilhões, após a exuberância proporcionada pelos estrangeiros na maior parte de novembro. Os investidores estrangeiros continuaram com aporte positivo na B3 no pregão de quinta-feira, 19, quando ingressaram com R$ 449,397 milhões no mercado acionário à vista, segundo dados divulgados hoje pela B3. Foi o menor volume neste mês de novembro desde o dia 6 e somente a quarta vez no período em que ficou abaixo de R$ 1 bilhão. Em novembro, a entrada chega a R$ 26,175 bilhões, o maior nível da série de dados mensais, que retrocede a 1995. No mês, o Ibovespa sobe 14,29%, limitando as perdas do ano a 7,15%.

“O Ibovespa teve abertura positiva e sustentou ganho em torno de 1%, sem conseguir engrenar uma tendência altista (mais forte). O dólar refletiu a questão fiscal, com políticos defendendo a renovação do auxílio emergencial por dois ou três meses em 2021, o que traz um pouco de preocupação porque a parte fiscal, já crítica, pode se agravar. Neste cenário, os investidores pisam no freio”, observa Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos.

Hoje, durante participação em evento da Empiricus, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a afirmar que a ideia é extinguir o pagamento de auxílio emergencial no fim de 2020, embora tenha reconhecido que há “muita pressão” por prorrogação. “Se tiver segunda onda (da covid-19), já sabemos como reagir”, acrescentou o ministro, cuja reiteração da agenda liberal tem sido recebida com ceticismo cada vez maior pelo mercado, ante a falta de progresso palpável, seja nas privatizações, seja nas reformas estruturais.

“A evolução das vacinas é fato, assim como a presença do investidor estrangeiro, especialmente desde a eleição do Biden, o que contribui para dar mais clareza para 2021, especialmente quanto a enfrentamento maior da pandemia nos EUA. Mas diante de nossos problemas, entre os quais o endividamento cavalar (do setor público), é preciso ver se esta recuperação é consistente. Depois da eleição do domingo, a agenda deve ser retomada, então veremos como o aspecto fiscal será tratado, inclusive com relação ao Renda Cidadã”, diz Shin Lai, estrategista-chefe da Upside Investor Research.

Na ponta do Ibovespa nesta segunda-feira, PetroRio fechou em alta de 7,64%, à frente de CSN (+6,80%), Petrobras PN (+6,13%) e BRF (+5,91%). No lado oposto, Carrefour Brasil cedeu 5,35%, estendendo a correção provocada pela morte de um cliente negro provocada por seguranças brancos de unidade em Porto Alegre, na noite de quinta-feira – destaque também para queda de 3,97% em Pão de Açúcar e de 3,33% em Cielo.

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