Edição nº 1142 14.10 Ver ediçõs anteriores

Com enorme atraso, BC finalmente reduz juros básicos

Com enorme atraso, BC finalmente reduz juros básicos

Olá, pessoal, tudo bem? Em março deste ano, quando o IBGE divulgou que havia 12,7 milhões de desempregados no Brasil, eu defendi o corte imediato da taxa de juros pelo Banco Central (BC). De lá para cá, a nova diretoria do BC, sob o comando do economista Roberto Campos Neto, ficou de braços cruzados à espera da aprovação da Reforma da Previdência. Foi um enorme erro.

Nesta quarta-feira 31, finalmente, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 6,5% para 6% ao ano, mesmo sem a aprovação da reforma em segundo turno, na Câmara. O Copom se rendeu àquilo que já me parecia óbvio no início do ano. O Brasil teria mais um Pibinho em 2019, que não ajudaria a melhorar o quadro de desemprego. Curiosamente, nesta quarta-feira 31, o IBGE atualizou os dados de desemprego e o Brasil tem, pasmem, 12,8 milhões de desocupados. Isso sem falar nos subutilizados (28,4 milhões) e nos desalentados (4,9 milhões), que desistiram de procurar emprego diante de um cenário tão ruim.

Os mais conservadores vão argumentar que o papel do BC não é o de olhar para o crescimento econômico, mas, sim, para a inflação. Correto. Mas com uma economia anêmica, a inflação tenderia a permanecer bem-comportada. Óbvio, não?

Não estou defendo o populismo econômico. Jamais defenderei reduções irresponsáveis dos juros. Mas, neste caso, o BC demorou demais. Em termos práticos, juros básicos menores em agosto só vão ter efeito na economia em 2020.

É verdade, também, que a política monetária (juros e depósitos compulsórios), sozinha, não será capaz de reanimar a atividade econômica. A missão maior está com a ampla agenda liberal a ser tocada pelo Ministério da Economia. Isso, no entanto, não isenta o BC de sua responsabilidade. Os juros básicos caíram com atraso e precisam continuar em queda nos próximos meses. Além disso, é função do BC criar as condições regulatórias para que os juros sejam reduzidos na ponta, tanto para consumidores quanto para empresários, mas isso é tema para outro artigo, em breve.


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