Finanças

Com coronavírus e alerta com economia local, Ibovespa volta a 114 mil pts

Crédito: AFP/Arquivos

O principal índice da B3 encerrou com perdas de 1,66%, aos 114.586,24 pontos (Crédito: AFP/Arquivos)


O Ibovespa sucumbiu dos 116 mil pontos, do fechamento de ontem, para 114 mil pontos no pregão desta quinta-feira, 20, com os ventos externos que carregaram as incertezas sobre os reais impactos do surto de coronavírus sobre as empresas, principalmente as que têm plantas na China, também principal parceiro comercial do Brasil. Ao mesmo tempo, do ponto de vista local, os balanços divulgados vieram abaixo da mediana das expectativas do mercado e afetaram a disposição dos investidores para as compras. Assim, o principal índice da B3 encerrou com perdas de 1,66%, aos 114.586,24 pontos. Com isso, apagou os ganhos anuais e agora marca retração de 0,92% no ano.

De acordo com Stefany Oliveira, analista de Toro Investimentos, a liberação de depósitos compulsórios pelo Banco Central, anunciada nesta quinta, acendeu um sinal de alerta sobre o ritmo de recuperação da atividade econômica brasileira. Isso porque, em um contexto no qual os indicadores macroeconômicos não têm vindo a contento e os dados de confiança do consumidor para os próximos meses recuaram, a percepção da medida foi a de que, de fato, a atividade econômica ainda patina. Por isso, diz ela, precisa de novos estímulos como o que foi dado hoje.

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O BC reduziu a alíquota de recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, de 31% para 25% e também a parcela dos recolhimentos compulsórios considerados no Indicador de Liquidez de Curto Prazo (LCR) dos bancos. Ambas medidas representam liberação de R$ 135 bilhões que podem ser direcionados ao crédito, caso os bancos queiram fazer isso.

No pregão de hoje, nem mesmo os papéis de primeira linha dos bancos responderam ao estímulo monetário, que pesa na composição do spread, e passaram o dia em queda. Bradesco PN fechou em queda de 1,44% e Banco do Brasil ON em baixa de 1,03%.

Também não foi ignorado, em meio ao atraso do Executivo para enviar propostas ao Congresso, o fato de o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ter voltado a pedir a continuidade das reformas estruturais para que seja possível manter esse nível de juros baixos e inflação controlada. “Precisamos continuar programa de reformas”, disse durante evento de lançamento de nova linha de crédito imobiliário da Caixa.