Negócios

Coca-Cola investe R$ 200 milhões e amplia programa de capacitação a pequenos varejistas (com foco na mulher)

Com investimento de até R$ 200 milhões em 2022, multinacional amplia programa de capacitação a pequenos varejistas, agora de olho nas mulheres.

Crédito: Leo Pinheiro

APOIO AOS PEQUENOS Pedro Massa revela a importância dos varejistas menores nos negócios da companhia. (Crédito: Leo Pinheiro)

A fabricante de bebidas Coca-Cola celebra em 2022 80 anos de Brasil e, sem deixar o gás evaporar, intensifica o olhar a segmento que impulsiona importante parte dos seus negócios por aqui: o empreendedorismo. A multinacional americana vai investir neste ano entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões na ampliação do Coca-Cola Dá um Gás no seu Negócio, programa lançado em dezembro de 2021 que visa dar capacitação a pequenos empreendedores. No caso da empresa, eles correspondem a 30% do total de 1 milhão de postos de vendas pelo Brasil, como afirmou à DINHEIRO Pedro Massa, vice-presidente de operações da Coca-Cola Brasil.

Na nova fase, a plataforma ganha dois projetos de formação e aceleração de negócios focados nas mulheres que atuam no setor de alimentação. Um deles está localizado em Salvador (Meu Negócio É meu País) e o outro em Porto Alegre (Empreenda como uma Mulher). Até o fim do ano, a meta é atingir 4,1 mil empreendedoras, incluindo as de outras seis cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. As ações fazem parte de um ciclo de investimentos anual de R$ 3 bilhões no Brasil em projetos de impacto social e ambiental.

O negócio Coca-Cola é ancorado na grande capilaridade de distribuição pelo País. Parte importante desse sistema é composta por pequenos comércios varejistas. “A saúde do nosso negócio também depende da saúde do negócio desses pequenos”, disse o executivo, ao destacar que o trabalho é feito não só para comercializar os produtos da bandeira. “Na verdade é para ele (empreendedor) vender mais, porque ao vender mais teremos um negócio mais próspero também.”

A plataforma digital é 100% gratuita, aberta a pequenos varejistas e empreendedores informais que, de acordo com Massa, podem aprender a trabalhar de forma mais produtiva. Redução de custos, incremento de receita, gerenciamento de estoque e de capital de giro são alguns dos temas disponíveis. “Em redução de custo tem uma série de capacitação que aborda gestão de fluxo de caixa e acesso a crédito”, afirmou o vice-presidente.

O projeto inclui auxílio para o desenvolvimento de estratégias digital e de marketing, além de acesso aos conteúdos desenvolvidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, disse que o setor está em fase de recuperação, um período de retomada, mas os empresários ainda lutam para ajustar os preços e manter seus negócios. “Os riscos ainda são altos em razão do endividamento e da pressão dos custos”, afirmou.

O incentivo aos pequenos negócios ganha importância no processo de retomada da economia nesta fase mais branda da pandemia. O setor de bares e restaurantes, a exemplo do de eventos e de turismo, foi um dos mais impactados pelo isolamento social e pela restrição de circulação. Com isso, muitos estabelecimentos fecharam as portas definitivamente entre 2020 e 2021 ao mesmo tempo em que outros iniciaram as atividades diante da necessidade de as pessoas trabalharem novamente de forma presencial. Massa, da Coca-Cola, diz que “hoje temos base de ponto de venda maior do que antes (da pandemia)”. Para ele, “isso é um sinal positivo, de resiliência, de que as pessoas estão buscando novas oportunidades, o que movimenta a economia e gera mais emprego no final”.

BALANÇO Os investimentos não só no mercado brasileiro têm se mostrado positivos para a Coca-Cola. No segundo trimestre a receita líquida global aumentou 12%, para US$ 11,3 bilhões, na comparação anual. Os preços médios de venda subiram 12% enquanto o volume de negócios apresentou alta de 8%, impulsionado pelo crescimento em mercados desenvolvidos e emergentes – neste caso, principalmente por Índia e Brasil. O faturamento da empresa nos países da América Latina por unidade teve alta de 9% em quase todos os setores, puxado por México, Brasil e Argentina. Um sinal de que os negócios da companhia pelo mundo seguem borbulhando.