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Coalizão admite fuga de jihadistas estrangeiros de Raqa

Coalizão admite fuga de jihadistas estrangeiros de Raqa

A coalizão internacional que combate o grupo Estado Islâmico admite a fuga de jihadistas estrangeiros da cidade síria de Raqa - Raqa Media Center/AFP/Arquivos

A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos que combate o grupo Estado Islâmico (EI) admitiu nesta terça-feira que jihadistas estrangeiros podem ter escapado antes da retomada da cidade síria de Raqa.

No dia 14 de outubro, pouco antes da queda da cidade transformada em capital do “califado” do EI, um comboio com aproximadamente 3 mil civis abandonou Raqa.

A saída foi possível graças a um acordo negociado com o Conselho Civil, encarregado da administração da cidade, instalado por combatentes curdos e árabes das Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas por Washington.

A coalizão afirmou na ocasião ter recebido garantias das FDS de que combatentes do EI não poderiam sair da cidade, mas uma reportagem da BBC exibida na véspera apresenta os testemunhos de vários motoristas que afirmam ter transportado centenas de combatentes fortemente armados, especialmente estrangeiros.

A reportagem da BBC informa ainda que vários destes combatentes conseguiram entrar na Turquia, de onde preparam atentados contra a Europa.

Consultado nesta terça-feira sobre a reportagem, o porta-voz da coalizão, coronel Ryan Dillon, admitiu que entre “os mais de 3.500 civis que abandonaram Raqa naquele momento, menos de 300 foram identificados como possíveis combatentes do EI”.

“Não posso dizer com 100% de certeza que cada homem tenha sido identificado ao sair de Raqa”, declarou o coronel Dillon, recordando que o acordo com as FDS previa a verificação das fotos e digitais de todos em idade de combate para se evitar a fuga de jihadistas.

“Que alguns combatentes tenham se misturado entre os civis (…) é possível”, admitiu Dillon, lembrando que a coalizão decidiu não bombardear um comboio que partida de Raqa devido à presença de milhares de civis.

A queda de Raqa ocorreu em 17 de outubro, após três meses de combates contra as FDS, e o Estado Islâmico se encontra agora encurralado em uma faixa entre o leste da Síria e o oeste do Iraque.