Economia

CNI reduz de 2,7% para 2% previsão de alta do PIB de 2019

CNI reduz de 2,7% para 2% previsão de alta do PIB de 2019

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para baixo as projeções de crescimento da economia e da indústria neste ano. De acordo com o Informe Conjuntural do primeiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira, 11, pela entidade, a estimativa para expansão do PIB caiu dos 2,7% projetados em dezembro de 2018 para 2,0%. A perspectiva para o crescimento do PIB Industrial de 2019 também caiu de 3% para 1,1%.

“O ritmo da atividade no início do ano foi bem mais fraco do que se esperava. O desemprego permanece alto, as famílias ainda não retomaram o consumo e as empresas enfrentam muitas dificuldades”, afirma o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

Segundo a CNI, “a revisão das estimativas explicita um descasamento entre a fraca atividade produtiva deste início de ano e a expressiva melhoria das expectativas observada no período pós-eleições”.

O documento destaca que são duas as razões básicas para a projeção de menor crescimento. A primeira seria o crescente sentimento entre os agentes de que o trâmite das reformas necessárias à transformação estrutural da economia brasileira será mais demorado e complexo que inicialmente percebido.

“Esse fato fica evidente na tramitação legislativa da proposta de reforma da previdência, atualmente na Câmara dos Deputados, que ainda se encontra em sua fase inicial de exame da admissibilidade”, destaca a CNI.

Esse atraso na tramitação da reforma da previdência dificulta avanços na discussão da reforma tributária, avalia a entidade. “A racionalização do sistema tributário é condição necessária para eliminar distorções, reduzir custos e aumentar a competitividade do País, em especial dos produtos manufaturados que enfrentam acirrada competição internacional”, afirma.

A segunda razão, segundo o Informe, são os poucos avanços na redução das defasagens estruturais que dificultam o cotidiano das empresas brasileiras e reduzem a capacidade de competição com produtos estrangeiros. “Essas dificuldades inibem as decisões de investimento privado e, dada a incapacidade fiscal do Estado, reduzem a taxa de investimento do País”, destaca o documento.

A previsão para o aumento do consumo das famílias neste ano caiu de 2,9% (projeção feita em dezembro) para 2,2% agora. A estimativa para a taxa medida de desemprego em 2019 subiu de 11,4% para 12%. Já a projeção de crescimento da formação bruta de capital fixo neste ano caiu de 6,5% para 4,9%. “Sem a retomada do investimento, o crescimento fica comprometido”, avalia a CNI.

Indicadores macroeconômicos

Apesar do ritmo fraco da atividade, os indicadores macroeconômicos são positivos. As previsões da CNI apontam que as contas do governo melhoraram. O déficit primário para as contas públicas projetado pela entidade para este ano caiu de 1,57% do PIB em dezembro para 1,39% do PIB agora. A previsão para a dívida bruta do setor público também diminuiu de 79,5% do PIB para 78,20% do PIB.

Com relação à inflação, a expectativa da indústria é de estabilidade e que não ocorram pressões significativas neste ano, com projeções apontando para uma taxa anual de 4,2% de IPCA, abaixo da meta de inflação de 4,25% fixada pelo Banco Central. Com esse cenário de inflação sob controle, a indústria defende que há espaço para a redução da taxa de juros básicos da economia. A estimativa para a taxa nominal de juros neste ano foi reduzida de 6,83% em dezembro para 6,42% agora.

O Informe Conjuntural tem ainda projeções para as contas do setor externo. A projeção para o saldo da balança comercial não foi alterada e a CNI mantém uma expectativa de superávit comercial de US$ 45 bilhões neste ano. Já para o saldo das transações em conta corrente, a previsão agora é de um déficit de US$ 25 bilhões neste ano, ante déficit de US$ 22 bilhões previstos em dezembro de 2018.

Para a CNI, a aceleração das reformas da Previdência e tributária e a implementação de medidas que melhorem o ambiente dos negócios são indispensáveis para aumentar a confiança na economia e estimular investimentos.

“Os agentes econômicos seguem com expectativas favoráveis ainda que condicionadas à implementação de reformas estruturantes que venham assegurar equilíbrio fiscal de longo prazo e melhoria do ambiente de negócios. O sucesso desse cenário depende de uma concertação entre os Poderes Executivo e Legislativo para aprovação dessas propostas. A ausência desses avanços tenderá a cristalizar um ambiente de baixo crescimento”, adverte a CNI no Informe Conjuntural.