Economia

CNI: insegurança gera cautela em gastos e recuperação pode levar 2 anos ou mais

Crédito: Agência Brasil/Arquivos

Levantamento da Confederação das Indústrias: 67% dos entrevistados acreditam que essa recuperação ainda não começou (Crédito: Agência Brasil/Arquivos)

Mesmo com o início da retomada das atividades produtivas no País, a insegurança da população brasileira em relação aos efeitos da pandemia do novo coronavírus ainda é grande. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), encomendada ao Instituto FSB Pesquisa, esse receio em relação ao futuro leva 71% dos brasileiros a reduzirem seus gastos mensais desde o início da pandemia. A maioria continua com as despesas retraídas, o que pode prolongar ainda mais a recuperação da atividade. A pesquisa revela que 67% dos entrevistados acreditam que essa recuperação ainda não começou e 61% afirmam que ela pode demorar até dois anos ou mais de dois anos.

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Essa retração nas despesas ocorre à despeito de o levantamento mostrar alguma recuperação na renda em relação à pesquisa anterior realizada em maio. Naquela ocasião, 40% disseram ter perdido em parte ou totalmente sua renda. Agora em julho esse porcentual caiu para 31%.

Insegurança

A cautela com os gastos, de acordo com a pesquisa, é motivada pela insegurança quanto à renda no futuro para 41% dos entrevistados. Outros 29% disseram ter reduzido os gastos por causa de perda de parte ou renda total e apenas 27% disseram gastar menos porque o comércio está fechado.

Os dados do levantamento mostram que dentre os trabalhadores formais e informais, 71% têm algum medo de perder o emprego. Em maio, esse porcentual era de 77%.

“Os dados recentes da economia mostram que o pior da crise causada pelo novo coronavírus pode ter ficado para trás. Mas a pesquisa reforça a enorme importância de se construir uma agenda consistente, com ações de médio e longo prazo, para a retomada das atividades produtivas e do crescimento do País. Recuperar a confiança do brasileiro, para que ele volte a consumir, é de suma importância para acelerar esse processo”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, que defende reformas estruturais para atacar os problemas que aumentam custos de produção e diminuem a capacidade da indústria brasileira de competir e gerar emprego e renda.

Fim do confinamento

Esse nível reduzido de consumo deve ser mantido mesmo após o fim do isolamento social. Entre todos os produtos pesquisados, que vão desde itens como roupas, produtos de higiene pessoal até bebidas, a maioria dos entrevistados disse que pretende apenas manter os gastos com eles. Os itens apontados como os que devem ter mais crescimento no consumo pós-isolamento são as roupas, mesmo assim, só 21% dos entrevistados pretendem ampliar o consumo desses produtos.

Isolamento social

Com 1.970.909 casos confirmados de covid-19 no Brasil e 75.523 mortes pela doença, segundo levantamento realizado pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL junto às secretarias estaduais de Saúde e divulgado na noite desta quarta-feira, 15, a maioria dos brasileiros, 84%, segue favorável ao isolamento social, segundo o levantamento da CNI.

Apesar disso, o medo grande do novo coronavírus caiu de 53% em maio para 47% em julho. Mas o grupo de pessoas que saem de casa apenas para ações essenciais, como fazer compras ou trabalhar, aumentou de 58% para 67% no mesmo período de comparação.

Com relação ao retorno das atividades de comércio de rua, os entrevistados mostraram-se divididos, 49% aprovam e 47% desaprovam. Já com relação a outras atividades, como salões de beleza, bares e restaurantes, shoppings, escolas e universidades, academias e cinemas, a maioria é contra a reabertura.

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