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Clickbus planeja próxima viagem

Dólar alto e vacinação norteiam os negócios da plataforma, mesmo que o destino do turismo interno ainda seja incerto.

Crédito: Fábio Cordeiro

CAMINHO LIVRE Phillip Klien, CEO da ClickBus, aposta na mudança de hábito dos consumidores na forma de comprar tíquetes rodoviários. (Crédito: Fábio Cordeiro)

A pandemia esvaziou o comércio, os hotéis, os aviões e, pelas mesmas razões, fez desaparecer os passageiros de ônibus intermunicipais. No entanto, apesar da disparada do dólar (que encarece os custos com combustíveis) e da crise sanitária, a ClickBus, maior plataforma de venda on-line de passagens rodoviárias no Brasil, se mostra empolgada com a recuperação do turismo interno. A empresa prevê crescer acima de 40% diante do avanço da vacinação e da alta na emissão de tíquetes no decorrer do segundo semestre, principalmente em novembro e dezembro, início do período de férias escolares e das festas de fim de ano. “Há uma demanda reprimida de viagens e, com as restrições internacionais, muitas pessoas devem viajar pelo Brasil”, afirmou à DINHEIRO o CEO Phillip Klien.

O otimismo do executivo, que está há pouco mais de dois meses no cargo e passou por empresas como OLX, PicPay, Twitter e Uber se apoia também na previsão de aumento da demanda em virtude da redução na oferta de voos no País, mas não reflete os números mais recentes da companhia. Em 2020 a startup teve queda de 27% no faturamento e de 20% na emissão de tíquetes, após o movimento despencar 95% entre a segunda quinzena de março e o fim de abril. De janeiro a março de 2021, os números voltaram a cair com a segunda onda de Covid-19. O tombo foi de 19% na receita e de 23% no número de passageiros embarcados na comparação anual.

Mesmo com o tropeço no durante os pontos mais altos da pandemia, o resultado da ClickBus foi melhor que a média do setor. Quando avaliado todo o segmento de transporte rodoviário, o cenário é outro. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Transportes Terrestres de Passageiros (Abrati), no primeiro trimestre, houve retração de 73% no faturamento e de 70% nas passagens emitidas pelas viações no País. O presidente da entidade, Eduardo Tude, alerta que os desafios vão além da pandemia. “A crise segue, apesar da vacinação”, disse.

Ainda assim, o céu já parece menos nublado no caminho da ClickBus. No segundo trimestre a plataforma apresentou resultado cinco vezes superior ao da mesma época do ano passado e 7% acima que o verificado em 2019, antes da pandemia. Hoje a empresa é parceira de 160 viações no Brasil que cobrem 4,6 mil destinos. Sobre a concorrência com a aviação, Klien afirma que o modal precisa ser encarado como parceiro, não concorrente. Exemplo disso foi o início das atividades da ITA Transportes Aéreos no Brasil — pertencente ao grupo Itapemirim —, no fim de junho. A Itapemirim é uma das mais tradicionais companhias de transporte rodoviário de passageiros no País e pretende integrar as operações dos dois modais. No segmento de aviação já são oito destinos com previsão de alcançar 13 em agosto e 35 até meados de 2022. “Nós os enxergamos como grandes parceiros do setor de aviação.”

NA PALMA DA MÃO Em terra firme, o executivo diz que o plano é agilizar e simplificar os processo de compra de passagens e derrubar o mito de que o tíquete para passagem de ônibus só é vendido nos guichês. “É uma maneira mais segura e mais prática de adquirir os bilhetes.” E parte dos consumidores já aderiu ao movimento. No ano passado, as vendas on-line chegaram a 40% no setor, contra apenas 12% em 2019. Já a participação do aplicativo da ClickBus na emissão de passagens cresceu 65% em 2020 em relação ao período anterior, sendo 31% via aplicativo da empresa. Da palma da mão ao pé na estrada, a ClickBus se diz pronta para a próxima viagem.