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Claus Porto, icônica marca portuguesa de 132 anos, aposta em experiência sensorial completa

por Cecília ANDREUCCI
de NOVA YORK

Reconhecida por seus 132 anos de história com aromas e fragrâncias especiais, entregues em embalagens coloridas desenhadas a mão que inspiram designers no mundo todo, a loja portuguesa de Nova York, localizada no número 230 da Elizabeth Street, é uma experiência sensorial completa.  Vizinha das elegantes boutiques e pequenos cafés de Nolita, bairro de Manhattan famoso pelo ar trendy e acolhedor, a loja reproduz a autenticidade da marca.

A Claus Porto nasceu em 1887, quando dois alemães – Ferdinand Claus e George Schweder – se mudaram para o Porto e fundaram a primeira fábrica portuguesa de sabonetes e perfumes. Só 129 anos depois da fundação (em 2016) a marca abriu a primeira loja, no Chiado, em Lisboa. A segunda foi aberta no Porto. A terceira é a de Nova York, a primeira fora de Portugal. Não se trata exatamente de uma surpresa, já que a marca sempre teve forte presença no mercado internacional e é vendida em pelo menos 60 endereços multimarcas nos cinco continentes.

Sacadas que fazem um produto se tornar diferenciado e um foco constante na experiência e no que é exclusivo fazem parte da estratégia de posicionamento da Claus Porto. Ao completar 130 anos, em 2017, a marca lançou um perfume de edição limitada, com 1.887 frascos – para remeter ao ano do nascimento da empresa. “Convidamos uma perfumista inglesa, Lyn Harris, que tem uma abordagem diferente e muito naturalista, para fazer uma viagem por Portugal e perceber os aromas do país”, disse em uma entrevista ao jornal Diário de Notícias a diretora de comunicação da marca, Maria João Nogueira Mendes. “Ela ficou fascinada. Dizia que Portugal cheirava a coisas incríveis, e resumiu a eucaliptos, pinheiros e mar.” Foi a partir daí que se elaborou o perfume, cada frasco vendido a 160 euros.

A Claus Porto nunca abriu mão de ares retrô no design e na produção. São produtos artesanais, embrulhados a mão, em embalagens com ilustrações artísticas e únicas. E um dos fatores decisivos do novo varejo é que a loja física ou virtual nunca deixe de ‘conversar’ com a essência da marca para que a experiência seja completa. Esse foi o desafio do arquiteto Jeremy Barbour na loja de Nova York. Num espaço de cerca de 50 m2, ele presta uma belíssima homenagem à arquitetura e à tradição portuguesas. Sem cair no óbvio de preencher as paredes com os famosos azulejos portugueses, o espaço é dominado por um arco de 12 metros de comprimento, inserido no piso térreo de um edifício do início do século XIX, criando um portal através do qual os visitantes imergem na atmosfera contagiante da Claus Porto.

E por ali vão conhecendo um desfile completo de frascos e sabonetes como se tivessem incrustrados naquele mosaico de recortes simétricos como objetos decorativos e não produtos à venda. A inspiração de Barbour está exatamente na Casa dos Bicos, de Lisboa, construção de arquitetura única do século XVI, hoje sede da Fundação José Saramago. E a homenagem continua quando, ao se tocar as paredes em bicos descobre-se que tudo aquilo é composto em cortiça, depois tratada e pintada em branco, lembrando que Portugal é o maior exportador mundial de cortiça. Além disso, é sensacional saber que toda aquela arquitetura pode ser removida e transportada para outro espaço, como se fosse um item de mobiliário.

Cecília Andreucci é mercadologista, mestre em consumo e doutora em comunicação.  Consultora, conselheira de administração e docente de pós-graduação, tendo atuado como executiva de marketing e vendas em empresas como Ambev, Souza Cruz, Pão de Açúcar, Whirlpool e Livraria Cultura.