Dinheiro em foco

Claudio Vale, CEO da CVPar Business Capital

Claudio Vale, CEO da CVPar Business Capital

Claudio Vale

Por que lançar uma área de gestão de fortunas, ou wealth management?
Estamos lançando produtos diferenciados para os nossos clientes. Nosso foco recente são os club deals, ou negócios realizados por grupos de investidores que querem dividir os riscos de um determinado projeto ou empreendimento.

Que projetos vocês já estruturaram?
Nosso primeiro projeto foi uma transação imobiliária. Soubemos que a cervejaria Heineken iria desativar duas unidades produtivas, uma em Horizontina (CE) e a outra em Feira de Santana (BA). Eram unidades pertencentes à Brasil Kirin. Adquirimos a unidade de Horizontina primeiro e, poucos meses depois, compramos a da Bahia. Aí soubemos que a Klabin estava pensando em expandir suas atividades no Nordeste e vendemos a fábrica no Ceará. Foi um retorno de 400% em poucos meses. Isso atraiu muitos investidores.

Foi o único projeto?
Não. Estamos finalizando a criação de uma seguradora. São 11 investidores dividindo um aporte de R$ 30 milhões. Eu sou um dos principais acionistas e tenho uma participação importante no capital com direito a voto, e os demais sócios têm ações preferenciais.

Quais as vantagens desses investimentos ilíquidos?
A rentabilidade. Em um cenário no qual há muita liquidez, os investimentos tradicionais, como ações e títulos de renda fixa, acabam não oferecendo uma grande vantagem para o investidor. No caso dos ativos ilíquidos há a possibilidade de retornos maiores, e é por isso que eles atraem os investidores de renda mais alta.

Como esses negócios são estruturados?
Procuramos a oportunidade, reunimos os investidores, e depois desenhamos o veículo mais adequado. Pode ser um fundo de participações, pode ser uma Sociedade de Propósito Específico, ou podem até ser participações na pessoa física.

Há algo em comum com esses empreendimentos?
Eu sou cearense e tenho muitos contatos no mercado financeiro em São Paulo. Percebo que há oportunidades de investimento excelentes no Nordeste que não chegam à Faria Lima simplesmente por desconhecimento. Costumo dizer que a meta da nossa empresa é aproximar o Nordeste e o Sudeste, canalizar a liquidez do mercado financeiro para oportunidades promissoras em locais menos conhecidos.

O BRILHO DA RENDA FIXA

A indústria de fundos registrou captação líquida de R$ 206 bilhões no primeiro semestre. Foi um recorde histórico, segundo a Anbima, associação que representa o setor. Nos seis primeiros meses de 2019, a captação havia sido de R$ 166,4 bilhões. No primeiro semestre de 2020, devido à pandemia, o resultado caiu para R$ 11,3 bilhões. Neste ano, o destaque foi para a renda rixa, que recebeu quase R$ 100 bilhões em novos recursos devido à expectativa de recomeço da alta dos juros. Os fundos de previdência, porém, perderam recursos, e registraram resgates líquidos de R$ 15 bilhões.

EM ALTA
0,80% 

foi o aumento do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) na primeira quadrissemana de julho de 2021. Com isso, o indicador acumula alta de 8,63% nos últimos 12 meses. De acordo com o levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), a inflação se acelerou em cinco das oito classes de despesa componentes do índice. A maior contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação, cuja inflação subiu de 1,15% para 2,39%. Nesse grupo cabe mencionar o caso das passagens aéreas, cuja variação saiu de 12,47% para 22,83%.

EM BAIXA
6,26% 

foi a queda acumulada de poder aquisitivo da poupança nos 12 meses findos em junho, segundo estudo da plataforma de informações financeiras Economatica. Foi a maior perda em porcentual em quase três décadas, desde os 9,72% registrados nos 12 meses findos em outubro de 1991. Em períodos de tempo, a queda mais extensa ocorreu nos 20 meses entre fevereiro de 2015 e setembro de 2016, mas o prejuízo em termos reais foi menor, cerca de 2,38%. Apesar da retração, a poupança ainda é um dos investimentos mais populares.

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