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Cinco dicas para não errar na escolha dos vinhos para o Natal

Os princípios da harmonização ajudam a escolher o vinho ideal para as receitas, mas não devem ser uma regra absoluta. Na ceia de Natal, vale mais o encontro entre familiares e pessoas queridas

Cinco dicas para não errar na escolha dos vinhos para o Natal

Balotine de peru com farofa (Crédito: Eduardo Delfim)

Mesmo quem não é muito fã de vinho, não resiste a uma tacinha nesta época de festas e sempre tem muitas dúvidas de o que escolher. Vinho ou espumante? Em que ordem? Por isso, compartilho aqui as dicas que dou para os meus amigos sobre os vinhos para o Natal.

1 – Comece sempre com um espumante.

A escolha do rótulo depende muito do orçamento. Os bons champanhes franceses são divinos e caros, assim como os ingleses, para quem tem a oportunidade de comprar. Mas há bons espumantes em todas as faixas de preço. Se a opção é por uma borbulha importada, saiba que os cavas são mais complexos que os proseccos, que são mais frutados. Se for nacional, lembre-se que a qualidade das nossas borbulhas é crescente. Mais: os espumantes casam muito bem com as nozes e demais frutas secas que sempre aparecem nestas ocasiões.

2 – Pratos leves pedem vinhos leves

Natal não é momento de teorizar sobre as regras de harmonização, mas uma noção básica ajuda. Sabe aquela regrinha de branco com peixe e tinto com carne? Ela tem lógica. Um vinho muito encorpado vai passar por cima de um prato mais leve, como os pescados. E o contrário também acontece: um branco desaparece na primeira garfada de uma carne mais suculenta. Mais: no hemisfério Sul, o Natal acontece na estação do calor. Por isso, só escolha um vinho tinto mais encorpado se a receita permitir e se o ar condicionado ambiente também. Se, mesmo assim, a opção é por um tinto, que é a preferência nacional, procure aqueles mais leves. A uva pinot noir, não raro, resulta em vinhos assim.

3 – Minha ceia tem carne de porco

Lombo e pernil são receitas de sabores delicados e também um pouco gordurosas. A frescor da bebida (que os especialistas chamam de acidez) é ideal para casar com a gordura da receita. E o sabor delicado das receitas pedem vinhos de sabor menos intenso. São exemplos aqui espumantes, os vinhos brancos que não passaram por barrica e rosés, como os da Provence. Tintos, novamente, só os mais leves, como dolcettos, chiantis

4 – O peru é o clássico do Natal

Por mais que o brasileiro tome mais vinho tinto, o par ideal do peru é um branco. É uma receita de carne mais delicada, não rara, acompanhada com frutas, que lhe dá um sabor mais adocicado, e as farofas. Aqui, o branco não pode ser muito aromático, como sauvignon blanc ou viognier, que vão brigar com a receita. O ideal são aqueles brancos que envelhecem em barricas de carvalho, de textura mais cremosa. O chardonnay é o melhor exemplo. Mas se o peru assado tem acompanhamos mais “pesados” como molhos e batatas assadas, ele pode combinar com um tinto de corpo médio. Até um merlot pode combinar.

5 – Na sobremesa, aposte nos casamentos clássicos

Sabe qual é a melhor harmonização com o panetone de frutas? O espumante moscatel, que o Brasil elabora com qualidade. Com as rabanadas, eu gosto de vinho do Porto.

E uma observação final, que acho sempre válida repetir: Os princípios da harmonização ajudam a escolher o vinho ideal para as receitas, mas não devem ser uma regra absoluta. Na ceia de Natal, vale mais o encontro entre familiares e pessoas queridas na mesa. E, se a família for grande e não deu tempo para planejar direito o vinho, escolha um espumante para o brinde, um branco mais encorpado ou um tinto de corpo médio, que não vão comprometer nenhuma harmonização e vai deixar a celebração mais agradável.


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