Ciência

Cientistas questionam em carta aberta estudo sobre a hidroxicloroquina na The Lancet

Crédito: AFP

Profissional da saúde colhe amostras de um homem para testá-lo para o coronavírus, na unidade de Ciências Biológicas do Instituto Nacional Politécnico (IPN) na Cidade do México, em 25 de maio de 2020 (Crédito: AFP)

Dezenas de cientistas expressaram em carta aberta sua “preocupação” com a metodologia usada no estudo publicado na revista The Lancet sobre a hidroxicloroquina, cujas conclusões levaram a OMS a suspender os ensaios clínicos com esta molécula.

O estudo, publicado em 22 de maio na prestigiada publicação médica, baseia-se em dados de quase 96.000 pacientes internados entre dezembro e abril em 671 hospitais em todo o mundo e compara a evolução daqueles que receberam esse tratamento e dos que não receberam.

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Seus autores concluíram que a hidroxicloroquina não é apenas ineficaz, mas também aumenta o risco de morte entre os pacientes com COVID-19.

À luz desse estudo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu suspender temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina em vários países.

O impacto deste trabalho “levou muitos pesquisadores ao redor do mundo a examinar minuciosamente a publicação”, a cargo da Surgisphere, uma empresa de análise de dados de saúde com sede nos Estados Unidos, escreveram os autores da carta aberta divulgada na quinta-feira.

“Esta revisão levantou preocupações sobre a metodologia e a integridade dos dados”, enfatizam, detalhando uma longa lista de pontos problemáticos, desde a recusa dos autores em dar acesso a informações de base à ausência de uma “revisão ética”.

Devido à “considerável preocupação” que o estudo suscitou “entre pacientes e participantes” nos ensaios clínicos, os signatários da carta pedem à OMS ou a outra instituição “independente e respeitada” a criação de um grupo para analisar independentemente as conclusões deste trabalho.

Os signatários desta carta aberta incluem médicos e pesquisadores de todo o mundo, de Harvard ao Imperial College London.

“Tenho sérias dúvidas sobre os benefícios de um tratamento com cloroquina/hidroxicloroquina contra a COVID-19 (…), mas não podemos questionar a integridade de uma investigação apenas quando ela não coincide com nossas ideias pré-concebidas”, reagiu no Twitter o doutor François Balloux, da University College de Londres.

Entre os signatários também está Philippe Parola, colaborador do médico francês Didier Raoult, que, com sua promoção da hidroxicloroquina desde o início da pandemia, contribuiu amplamente para popularizar a molécula, normalmente usada para tratar doenças como o lúpus.

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