Ciência

Cientistas argentinos provam que plasma de recuperados reduz mortes por covid

Cientistas argentinos provam que plasma de recuperados reduz mortes por covid

Foto tirada em 29 de dezembro de 2020 e publicada pela Télam, mostra dois profissionais de saúde carregando caixas com doses da vacina Sputnik V em Mar del Plata - TELAM/AFP/Arquivos

A administração de plasma de convalescente a pacientes com covid-19 nas primeiras 72 horas da doença reduz pela metade o risco de quadro crítico, concluiu um estudo liderado pelo infectologista argentino Fernando Polack e publicado pelo The New England Journal of Medicine.

“É uma alternativa se alguém com mais de 65 anos se infectar. Mas é como um seguro-saúde, você tem que ter quando ainda está saudável, porque não há tempo a esperar e ver o que acontece: se você está mal, o plasma é inútil”, resumiu Polack.

O estudo recém-publicado na revista científica aborda os resultados da administração precoce de plasma com alto teor de anticorpos para prevenir formas graves da covid-19 em adultos mais velhos.

Com base nos resultados, “o estudo diz que em todos os pacientes a incidência da doença grave foi cortada pela metade”, indicou.

“Temos certeza de que o plasma é útil nos primeiros três dias de doença, ou seja, você tem (um prazo de) 72 horas de sintomas para recebê-lo”, disse o cientista à Rádio Con Vos nesta quinta-feira.

Polack explicou que os resultados dependem da quantidade de anticorpos presentes no plasma.

“Os melhores provedores são os pacientes que foram hospitalizados porque têm mais anticorpos e as pessoas que foram vacinadas”, disse ele, definindo estas últimas como “doadores privilegiados em potencial”.

“Em uma sociedade desamparada contra o coronavírus, ser vacinado significa estar protegido e também ter a possibilidade de doar plasma, o que significa seis tratamentos para seis idosos para cada pessoa que doa duas vezes no mês”, disse.

Polack liderou a equipe de cientistas da Fundação Infant, criada por ele em 2003 para estudar doenças respiratórias infantis, que realizou o estudo em colaboração com hospitais públicos e instituições privadas entre junho e outubro de 2020.

O estudo envolveu 200 doadores de plasma e 120 pacientes voluntários, metade tratados com placebo, bem como mais de 200 profissionais da saúde.

No entanto, a Argentina não tem atualmente capacidade para aplicar este tratamento em seu sistema de saúde.

“Hoje não existe, é algo em construção dentro do sistema público e privado. É preciso gerar um arsenal (de plasma) que será uma ponte até que haja uma vacina para a maior parte da população”, explicou Polack. Q

Quando isso acontecer, “nada disso vai importar. Existe plasma para sarampo, catapora, hepatite, mas ninguém ouve sobre isso porque existe uma vacina”.

A Argentina iniciou sua campanha de vacinação contra a covid-19 em 29 de dezembro, com a russa Sputnik V. Também aprovou a da Pfizer-BioNTech e a da AstraZeneca/Oxford.

Até agora, o país sul-americano soma 1,67 milhão de infecções e quase 44.000 mortes por covid.

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