Tecnologia

Ciência da criatividade

Software da Winnin mapeia, com data science e machine learning, os vídeos assistidos pelo mundo, gera dados e detecta tendências para a produção de conteúdos relevantes e assertivos.

Crédito: Divulgação

CONTEÚDO Erich Oliveira, Gian Martinez e Carlos Camolesi (a partir da esq.) comandam a martech carioca que auxilia seus clientes a criar peças mais conectadas com o consumidor. (Crédito: Divulgação)

O desafio é conceitual: colocar números e dados como fontes primárias na criatividade. É inserir ciências exatas no mundo majoritariamente de humanas. Essa é a proposta da martech Winnin, que desde o início do ano disponibiliza ao mercado o software Winnin Insigths. A ferramenta analisa bilhões de vídeos diariamente em todo o mundo para fazer um mapa de tendências e ajudar empresas a tomar melhores e mais rápidas decisões de marketing, para vender produtos e divulgar suas marcas. Diferentemente das métricas tradicionais de audiência de conteúdos audiovisuais, em que são revelados os vídeos mais assistidos, curtidos e comentados, a plataforma da startup carioca mostra aos seus clientes os assuntos mais relevantes que estão sendo consumidos pelos mais diferentes perfis de pessoas ao redor do planeta. A partir dessas informações, os criadores produzem peças mais relevantes, que geram maior engajamento e interatividade com o público-alvo. “Estamos vivendo uma revolução de vídeos na internet. Podemos criar coisas relevantes de forma mais constante. Trazer ciência e método para o processo criativo”, afirmou Gian Martinez, CEO e fundador da Winnin.

A martech existe há 5 anos. Antes de apresentar o software ao mercado, atuava em consultoria e estratégia de comunicação. Tem como sócios a Coca-Cola e a ZX Ventures, braço de venture capital da gigante AB Inbev, dona da Ambev no Brasil, e recebeu outros aportes que somaram US$ 8 milhões. Neste ano, a startup evoluiu com a ferramenta no modelo de software as service (SaaS), oferecendo planos a partir de R$ 8 mil mensais. A ferramenta é capaz de processar bilhões de vídeos em tempo real de plataformas como Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e Twitch (streaming de transmissões ao vivo para gamers). São 50 milhões de novos vídeos classificados diariamente. Com o Winnin Insigths, que usa machine learning e data science, é possível saber o que um adolescente na Índia ou uma mãe de 40 anos na Inglaterra estão assistindo, por exemplo. Mapeia a cultura local e entende o que acontece em uma região, em um período de tempo específico. Esse software permite às empresas terem informações detalhadas e treinarem suas equipes para promover conteúdos criativos em larga escala. O faturamento – não divulgado – é composto por 80% de contratos com companhias estrangeiras.

O que antes dependia de inspiração e talento para criar poucas – mas boas – produções, pode ser feito mais rapidamente, mais vezes e de forma mais assertiva, conectado com o espírito do consumidor. “Muitas vezes, a propaganda na forma tradicional propõe algo que ninguém quer ver e é irrelevante para todos. Para as pessoas assistirem, você paga caro inserções em televisões. Nós podemos criar algo relevante que as pessoas realmente querem assistir”, disse Gian Martinez, que entrou na empreitada juntamente com Carlos Camolesi (CPO) e Erich Oliveira (CTO), após passar 7 anos como líder do Departamento de Excelência Criativa da Coca-Cola no Brasil. Ele é um dos criadores da campanha de latinhas de refrigerante com os nomes das pessoas, uma ação emblemática que viralizou espontaneamente e que não era necessariamente uma peça publicitária.

VIEWS Durante a Copa do Mundo Fifa, em 2018, na Rússia, a Winnin promoveu uma campanha global com a Budweiser. Após pesquisar, nas principais plataformas sociais, quais eram os hábitos do público-alvo da cervejaria, foi revelado que os vídeos de reação estavam em alta. Assim nasceu o #ReactionChallenge, desafio que incentivava os consumidores a publicar vídeos de suas reações aos jogos da Copa do Mundo. Com o mesmo orçamento de campanhas anteriores, a iniciativa gerou 700 vezes mais visualizações de vídeos relacionados à marca. Atualmente, com a Winnin, captou a tendência de consumo em massa das lives de artistas, e levou a Ambev a investir nesse formato logo no início da pandemia, em março. Também tem projetos com a Danone, Nestlé e Nubank. Com a loja de departamentos C&A, está em execução um trabalho que será realizado no formato live shop, com participação de influenciadores, muito usado na Ásia e que começa a ser mais assíduo no Brasil.

Além do maior engajamento alcançado pelos conteúdos mais relevantes, a ferramenta da Winnin proporciona redução do tempo em que são definidas as estratégias. Um briefing de um grande projeto, que demorava de 12 a 18 semanas, agora leva entre duas e três semanas com os dados gerados pelo software. “É mais eficiente, gastando menos tempo e energia”, disse Gian Martinez, que lidera um time de 80 colaboradores e está em crescimento. Até o fim do ano, serão 100.

 

Veja também

+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por redução de até 50% na parcela
+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev
+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA
+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?