Economia

Cielo faz investida no varejo e cogita banco para o futuro

O presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, afirmou na última quarta-feira, 24, que a abertura de um banco próprio é uma questão para o futuro da empresa de maquininhas. “O comportamento, ao longo do tempo, tem de ser de autonomia para atuar de forma competitiva neste mercado”, disse, após a divulgação dos resultados do trimestre. “As adquirentes (empresas que capturam transações do cartão) estão montando bancos e estrutura de financiamento”, disse ele. Ao ser questionado sobre se a Cielo vai estruturar banco próprio, ele respondeu: “Isso é coisa para o futuro”.

Por enquanto, a empresa está testando uma linha de crédito para seus clientes. Os empréstimos serão concedidos com base no fluxo dos pagamentos que eles têm a receber, o chamado crédito fumaça. O potencial é de R$ 1 bilhão em 12 meses. Até o momento, a companhia já liberou R$ 40 milhões, mas o produto ainda está em fase piloto.

A Cielo reforçou mais uma vez a atuação entre os pequenos empreendedores, anunciando que, a partir da semana que vem, terá uma nova opção de maquininha para esse público. Batizada de Cielo Mini Zip, o equipamento terá conexão com redes de telefonia celular. “O único caminho é a Cielo ser cada vez mais digital”, disse.

Caffarelli afirmou ainda que a companhia está voltada a inverter o perfil da sua base de clientes, que hoje tem predominância das grandes contas. Atualmente, esse público responde por 60%, ficando o varejo com os outros 40%. Essa afirmação agradou o mercado e fez com que as ações da empresa subissem.

Em junho, segundo ele, o segmento de varejo, que abrange empreendedores a lojistas com faturamento anual de até R$ 15 milhões, apresentou crescimento anual no mesmo ritmo das grandes contas.

Sinais. No dia, as ações da Cielo tiveram alta de quase 13%. Mas não foi por conta do resultado trimestral. Controlada por Bradesco e Banco do Brasil, a companhia teve lucro líquido de R$ 431 milhões no segundo trimestre, cifra 33,3% menor que a vista um ano antes, de R$ 646 milhões. A geração de caixa da Cielo ficou em R$ 748 milhões no segundo trimestre, queda de 34,7% em um ano.

Glauco Legat, analista da Necton Corretora, disse que olhando friamente os números divulgados pela companhia, não há motivo para otimismo. Segundo ele, porém, a Cielo está se reinventando, tentando brigar com os novos entrantes, e que a fala de Caffarelli sobre a base de clientes, trouxe otimismo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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