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China está buscando “outras Terras” para colonizar

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A China anunciou seus primeiros planos de busca por planetas próximos habitáveis, para os quais algum dia a humanidade poderia expandir e colonizar. (Crédito: Reprodução/Pixabay)



A China anunciou seus primeiros planos de busca por planetas próximos habitáveis, para os quais algum dia a humanidade poderia expandir e colonizar. No projeto, chamado Closeby Habitable Exoplanet Survey (CHES), os oficiais propõem enviar um telescópio com abertura de 1.2m a cerca de 1.5 milhões de quilômetros até um ponto de Lagrange, região onde há estabilidade gravitacional entre a Terra e o Sol, segundo um serviço estatal de notícias chinês, o CGTN.

Quando estiver no ponto L2 Lagrange, o telescópio CHES vai passar cinco anos buscando por planetas habitáveis em torno de cerca de 100 estrelas semelhantes ao Sol dentro de uma distância de até 33 anos-luz da Terra.

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A partir desses dados, os astrônomos esperam encontrar exoplanetas do tamanho da Terra orbitando suas estrelas de maneira semelhante a que nosso planeta faz – essa característica poderia permitir a existência de “outras Terras”, que conteriam água e, portanto, a capacidade para abrigar vida.




“A descoberta dos planetas próximos habitáveis será um grande avanço para a humanidade, e também vai ajudar os humanos a visitar esses gêmeos da Terra e expandir o nosso espaço de convivência no futuro”, disse Ji Jianghui, um astrônomo na Academia Chinesa de Ciências, principal investigador da missão CHES.

Os cientistas disseram que esperam encontrar cerca de 50 planetas semelhantes a Terra, ou super-Terras, em sua pesquisa.

Segundo o catálogo de exoplanetas da NASA, entre 3.854 e 5.030 exoplanetas foram descobertos por uma técnica conhecida como método de trânsito. Esse método treina o telescópio a observar a cintilação da luz das estrelas à medida que os planetas em sua órbita passam na sua frente.


Contudo, o método pode ser lento, e pode precisar de diversas passagens do planeta em órbita na frente da estrela antes dos cientistas confirmarem sua detecção.

Além disso, o método só consegue detectar o raio do exoplaneta, não a massa ou a forma da sua órbita, e precisa de outras pesquisas feitas por telescópios na Terra para confirmar que os sinais não estão sendo causados por outras atividades estelares, segundo os pesquisadores.

O novo telescópio poderia avistar os exoplanetas mais rapidamente, e com mais detalhes, usando outro método chamado astrometria; com esse método, os cientistas buscam por oscilações reveladoras de estrelas, causadas por puxões gravitacionais dos planetas em órbita.

Se uma estrela oscilar com muita instabilidade em relação a outras estrelas de referência próximas a ela, o telescópio vai sinalizar que uma investigação mais aprofundada deve ser feita.

Assim, ao analisar com maior precisão, os pesquisadores poderão identificar a massa dos exoplanetas que a orbitam, e mapear os caminhos tridimensionais em torno dela.

Esse método é um pouco controverso, e somente um exoplaneta foi descoberto através dele até então. Isso porque requer uma precisão extrema para confirmar a existência do exoplaneta, segundo a Planetary Society.

As decisões em torno dos fundos para a missão do CHES devem ocorrer em junho, e se ela for selecionada, a equipe vai trabalhar para construir o novo telescópio para ser lançado em 2026; portanto, até então, não há uma confirmação de que teremos mais uma grande lupa no espaço.

A proposta compete com outro projeto em busca de exoplanetas, o Terra 2.0, no qual um conjunto de sete satélites usando o método de trânsito seria lançado para o ponto L2 Lagrange.

As ambições da China no espaço estão crescendo. Ela enviou sondas para a Lua e Marte, e planeja construir sua primeira estação espacial até o final deste ano, e ter uma base lunar em funcionamento até 2029. Para 2022, planeja 60 lançamentos espaciais, cinco a mais do que realizou em 2021.