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China critica declarações de Bachelet sobre muçulmanos uigures

China critica declarações de Bachelet sobre muçulmanos uigures

(10 set) Michelle Bachelet discursa na abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra - AFP

O governo chinês rejeitou nesta terça-feira (11) as críticas da nova alta comissária dos Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, sobre a situação dos muçulmanos uigures.

Na versão escrita de seu primeiro discurso no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, publicado na segunda-feira, a ex-presidente do Chile aponta as “preocupantes alegações de detenções arbitrárias em larga escala de uigures e de outras comunidades muçulmanas nos chamados campos de reeducação de Xinjiang”, uma região do noroeste do país.

“Levando-se em conta esses informes, pedimos ao governo que permita ao escritório [do Alto Comissariado] ter acesso a todas as regiões da China e esperamos iniciar discussões sobre essas questões”, indica Bachelet no texto.

Em agosto, em um comitê dos direitos humanos da ONU em Genebra, a China já foi acusada de manter, ou de ter mantido, milhões de pessoas detidas nesses campos. A AFP não conseguiu confirmar esses números.

O porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, rejeitou as críticas nesta terça-feira.

“A China pede à alta comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas e a seu gabinete que se limitem estritamente à sua missão e aos princípios da carta da ONU e que respeitem a soberania da China”, declarou.

Geng também convidou Bachelet a exercer suas funções “de maneira justa e igualitária em vez de ouvir apenas uma das partes”.

O governo chinês justifica sua repressão em Xinjiang, uma zona fronteiriça com o Afeganistão e o Paquistão, pela necessidade de lutar contra o “terrorismo” islamista e contra o separatismo de uma parte dos membros da comunidade uigure.