Giro

CGU: Pastor Arilton pediu R$ 100 mil para levar evento do MEC ao interior de SP

Crédito: Luiz Fortes / MEC

O valor seria um "auxílio a obras missionárias" (Crédito: Luiz Fortes / MEC)



Um empresário de Piracicaba (SP) relatou à Controladoria-Geral da União (CGU) que o pastor Arilton Moura lhe pediu R$ 100 mil para levar um evento do Ministério da Educação para a região. O valor seria um “auxílio a obras missionárias” de uma igreja ligada ao religioso, que é investigado pelo “gabinete paralelo” que controlava agenda e verba do MEC na gestão Milton Ribeiro.

O ex-ministro, Arilton Moura, o pastor Gilmar Santos, o advogado Luciano Musse e o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia Helder Bartolomeu foram presos nesta quarta-feira, 22, na Operação Acesso Pago. O “gabinete paralelo” foi revelado pelo Estadão em março. O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) cassou a decisão e mandou soltar os investigados.

O empresário José Edvaldo Brito disse à CGU que acreditando na “boa-fé do pastor” conseguiu articular um pagamento de R$ 67 mil a Arilton Moura “para colaborar com as ações filantrópicas”. Segundo o empresário, um “amigo” identificado por Danilo Felipe Franco transferiu o valor para três contas ligadas ao pastor.

MPF diz que esquema de corrupção no MEC tinha ‘respaldo’ de Milton Ribeiro




Um dos depósitos, de R$ 30 mil, é tratado pela Polícia Federal como pagamento de propina e foi enviado para a conta do genro do religioso, Helder Bartolomeu. Outros R$ 20 mil foram depositados na conta do advogado Luciano Musse, “infiltrado” pelos pastores no Ministério da Educação.

Como revelou o Estadão, Luciano Musse acompanhava os pastores em agendas no MEC. Em abril do ano passado, o advogado passou a trabalhar na pasta, como gerente de projetos. O homem de confiança dos pastores tinha acesso a dados privilegiados da pasta na Secretaria Executiva, o órgão que gerencia e administra a estrutura do ministério. Após a queda do ministro, Musse perdeu o cargo.

Ao encontrar os depósitos, a CGU acionou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). “No decurso da Investigação Preliminar Sumária também foi identificada a prática de atos suspeitos por pessoas que não se submetem à competência correcional da Controladoria-Geral da União”, informou o órgão.


A PF também coloca sob suspeita um depósito de R$ 50 mil na conta de Myriam Ribeiro, mulher do ex-ministro. Como mostrou o Estadão, a defesa do casal alegou que o valor seria oriundo da venda de um carro e teria sido repassado por familiares do pastor Arilton Moura que compraram o veículo.

Os policiais federais dizem que o relatório entregue pela Controladoria, somado aos achados da investigação, “demonstram, documentalmente, o recebimento de vantagem solicitada pelos investigados”.

A Polícia Federal aponta que o ex-ministro deu “prestígio” à atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura ao dar-lhes “honrarias e destaque na atuação pública da pasta”. Os religiosos acompanhavam Ribeiro em eventos oficiais do MEC pelo País.

“A infiltração de Luciano nos quadros de servidores da pasta demonstra a sofisticação da atuação agressiva da organização criminosa, que indica desprezo à probidade administrativa e fé pública. Helder teve sua conta utilizada para receber propina e também viajou com a comitiva dos pastores”, afirma a PF.






Tópicos

ações filantrópicas advogado Luciano Musse Anderson Correia ARILTON Arilton Moura Assembleia de Deus atuação da União Nacional dos Estudantes auxílio auxílio a obras missionárias bancada evangélica bancada evangélica do Congresso boa fé carteira de estudante carteira de estudante virtual Centrão Centrão controla o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação CGU Ciro Nogueira comitiva dos pastores comunismo nas universidades Congresso continuidade de Ribeiro no comando da pasta CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO Danilo Felipe Franco denúncias MEC desembargador Ney Bello EDUCAÇÃO/PASTORES/GABINETE PARALELO/MILTON RIBEIRO/FLÁVIO BOLSONARO embates com o MEC empresário empresário de Piracicaba empresário José Edvaldo Brito ensino superior estudantes Estudantes de Ensino Superior estudantes endividados estudantes endividados do FIES evangélico evento evento do MEC evento do Ministério da Educação eventos oficiais do MEC ex-assessor da Prefeitura de Goiânia Helder Bartolomeu ex-assessor do ministro da Casa Civil ex-ministro ex-ministro Milton Ribeiro gabinete paralelo ex-ministro prisão PF Fies filho '01' do presidente Jair Bolsonaro Flávio Bolsonaro FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação gabinete paralelo gestão gestão Milton Ribeiro GIlmar Santos governo Bolsonaro Igreja Instituto Tecnológico da Aeronáutica interior de SP investigados ITA Líder do governo na Câmara liderança evangélica líderes do Progressistas líderes religiosos Marcelo Lopes da Ponte MEC MEC Milton Ribeiro Geral 1 kg de ouro milton ribeiro Milton Ribeiro evangélicos Milton Ribeiro preso pela PF ministro da Educação MOURÃO mulher do ex-ministro MYRIAM RIBEIRO obras missionárias Operação Acesso Pago organização criminosa ouro pastor Pastor Arilton pastor Arilton Moura pastor Gilmar Santos pastores evangélicos permanência de Ribeiro no MEC PF Piracicaba Polícia Federal policiais federais presidente Jair Bolsonaro presidente licenciado do partido prisão probidade administrativa progressistas propina propina no MEC quanto vale 1 kg de ouro? recebimento de vantagem reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica religioso Ricardo Barros saída de Ribeiro secretária executiva segundo mandato de Bolsonaro senador Flávio Bolsonaro solicitações de prefeituras ligadas a pastores evangélicos Tribunal Regional Federal da 1ª Região troca do comando UNE União Nacional dos Estudantes valor do ouro verba do MEC