Economia

Centrão fatura alto com Bolsonaro e controla quase R$ 150 bi no governo

Crédito: Marcos Corrêa/PR

Contrariando promessa eleitoral de 2018, Bolsonaro nunca concedeu tanto poder ao "Centrão" e Ciro Nogueira é principal beneficiário (Crédito: Marcos Corrêa/PR)



O chamado “Centrão”, bloco legislativo constituído por pequenos e médios partidos, nunca teve tanto poder no governo Jair Bolsonaro (PL) como no último ano de seu mandato. Apenas os três principais partidos do bloco (PP, PL e Republicanos) comandam pelo menos 32 pontos-chave na administração federal, que somam mais de R$ 149,6 bilhões em recursos.

Deputados federais e senadores das legendas ganharam repasses de ao menos R$ 901 milhões em emenda parlamentar do relator, o chamado “orçamento secreto”, que não designa onde o dinheiro foi aplicado.

+ Bolsonaro blinda orçamento secreto e sanciona fundo eleitoral de R$ 4,96 bilhões
+ Bolsonaro veta R$ 3,1 bi do Orçamento e sanciona verba para reajuste de servidor

A cifra gerida pelos três partidos é superior, por exemplo, ao orçamento anual do Ministério da Defesa: R$ 116,3 bilhões. O Ministério da Saúde, que combate a pandemia causada pela Covid-19, tem orçamento de R$ 160 bilhões.




A gestão dos recursos é feita a partir de indicações desses partidos a cargos de comando em diversos setores, como a presidência do Banco do Nordeste, ocupada por indicado do deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL, ao qual Bolsonaro filiou-se em novembro de 2021. Com orçamento de R$ 144 milhões, o banco administra R$ 65 bilhões em ativos, segundo levantamento do jornal O Globo.

Outro órgão sob controle do Centrão é o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), presidido por Marcelo Lopes da Ponte, ex-chefe de gabinete de Ciro Nogueira (PP), ministro da Casa Civil. O FNDE tem orçamento de R$ 37 bilhões previstos para este ano.