Economia

CBS e Viacom anunciam fusão para criar gigante global do entretenimento

CBS e Viacom anunciam fusão para criar gigante global do entretenimento

Sede da CBS em Nova York - AFP

Os grupos norte-americanos Viacom e CBS anunciaram nesta terça-feira (13) sua fusão, que cria uma gigante global de filmes e televisão com receita de US$ 28 bilhões, segundo um comunicado conjunto.

A fusão, que será feita por troca de ações, dá vida ao ViacomCBS, um grupo que “ocupa posições de liderança nos Estados Unidos, na Europa, na América Latina e na Ásia”, disse o comunicado.

A nova empresa se torna o maior grupo de televisão nos Estados Unidos e também incluirá os estúdios cinematográficos Paramount e a editora Simon & Schuster. A fusão também reúne várias franquias de sucesso, como as sagas Star Trek e Missão Impossível.

O grupo também administrará serviços importantes no Reino Unido, na Argentina e na Austrália, além de canais a cabo em mais de 180 países.

A ViacomCBS terá faturamento de US$ 28 bilhões e valor de mercado de aproximadamente US$ 30 bilhões.

O novo grupo será liderado por Bob Bakish, atual CEO da Viacom. Segundo ele, a combinação dos ativos e competências da CBS e da Viacom nos permite criar “uma das poucas empresas com conteúdo e escopo amplo e variado o suficiente para moldar o futuro do nosso setor”.

Esta operação reconstitui uma entidade que existia até 2006, antes de a National Amusements, sociedade que controlava os dois grupos, decidir separá-los.

A filha do fundador da National Amusements, que se tornou o magnata do grupo de mídia Summer Redstone, Shari Redstone, será presidente da nova diretoria.

A fusão deve ser concluída antes do final do ano, se for obtida permissão das autoridades competentes. Sob seus termos, os atuais acionistas da CBS terão 61% da nova entidade e os acionistas da Viacom, 39%.

– Novo modelo de negócios –

O anúncio foi feito em um momento em que o cenário audiovisual nos Estados Unidos está se transformando radicalmente, já que atores “tradicionais” (televisão, estúdios, operadoras de TV a cabo) enfrentam a ascensão de gigantes da internet como Netflix, Amazon Prime Video ou Apple TV.

Diante do novo modelo de negócios, sem publicidade, mas por meio de assinaturas, e de suas inovações tecnológicas, vários grupos já sentiram a necessidade de fortalecer sua oferta para manter sua estatura na disputa implacável do entretenimento americano.

Por exemplo, a Disney comprou a maior parte da 21 Century Fox por 71 bilhões e planeja lançar sua própria plataforma Disney+ em novembro.

A gigante das telecomunicações AT&T confiscou a Time Warner (HBO, CNN, TBS e Warner Bros), enquanto a Comcast fez o mesmo com a NBCUniversal.

Separadas, a CBS e a Viacom podiam lutar para ganhar mais peso. Mas para justificar a fusão, as empresas destacam especialmente que, se forem combinadas, terão uma capacidade financeira ainda maior para investir em novos conteúdos e novas tecnologias.

Além de seus catálogos, de mais de 140.000 transmissões de televisão e 3.600 filmes, eles gastaram US$ 13 bilhões em novos conteúdos nos últimos 12 meses.

No entanto, essa fusão não ocorrerá sem problemas, pois os dois grupos já fizeram várias tentativas de abordagem sem sucesso. O ex-diretor da CBS, Leslie Moonves, há muito se opunha à fusão, desejada por Shari Redstone, e a batalha chegou a ser levada à Justiça.

No entanto, Moonves foi expulso do conselho em setembro passado sob acusações de abuso sexual.