Ciência

Cavalos atravessam chamas para evitar epidemias na Espanha

Cavalos atravessam chamas para evitar epidemias na Espanha

Um cavaleiro através de uma fogueira na aldeia de San Bartolome de Pinares, na província de Ávila, no centro da Espanha, durante a tradicional festa religiosa de "Las Luminarias" em homenagem a San Antonio Abad (Santo Antônio), padroeiro dos animais, em 16 de janeiro de 2022 - AFP

Um cavalo galopante emerge da escuridão e cavalga pelas chamas sem diminuir a velocidade. Na cidade espanhola de San Bartolomé de Pinares, todas as noites do dia 16 de janeiro, os cavalos cruzam as fogueiras para evitar epidemias, segundo uma antiga tradição.

Galhos secos alimentam as fogueiras espalhadas ao longo da rua principal desta cidade de 600 habitantes, cem quilômetros a oeste de Madrid.



Um após o outro, os cavalos aparecem e pisoteiam os galhos incandescentes das fogueiras, sem diminuir a velocidade.

Os cascos fazem voar faíscas entre os aplausos de centenas de espectadores nas calçadas, hipnotizados por um espetáculo que mergulha a cidade em uma atmosfera mística e medieval.

Chamada Las Luminarias, essa tradição remonta ao século XVIII, quando uma epidemia dizimou a população equina.

+ Especialista revela o segredo dos bilionários da bolsa. Inscreva-se agora e aprenda!


“Quando um animal morria de infecção, literalmente queimava”, e como “a epidemia desapareceu, acreditava-se que a fumaça protegia os animais”, explica Leticia Martín, fisioterapeuta de 29 anos, amazona da “Fiel”.

– Chamas purificadoras –


“Estes incêndios que purificam todas as doenças dos animais são celebrados na véspera de San Antón Abad”, o santo padroeiro dos animais, detalha Antón Erkoreka, diretor do Museu Basco de História da Medicina, que lembra que em toda a Espanha são celebradas missas para abençoar os animais.

Em outras cidades também se acendem fogueiras, mas em datas diferentes e sem cavalos, para relembrar as epidemias e a peste.

Agora, quando a epidemia de coronavírus completa dois anos, essa tradição se torna mais simbólica. Mas a comemoração não tem nada a ver com a covid-19, lembra Emmanuel Martín, de 26 anos.

É para abençoar os animais e para que fiquem “limpos o ano todo: a fumaça dos galhos verdes vem purificá-los”, detalha.

Muito criticada pelos defensores dos animais, esta tradição “não faz mal ao cavalo nem ao cavaleiro”, garante Martín.

Após um hiato de pandemia no ano passado, os cavalos “purificados” estão de volta aos estábulos.

“Nesta cidade, não houve nenhum caso de covid antes de dezembro de 2021”, quando a ômicron chegou.

“Nós rimos: ‘Isso é porque não fizemos as Luminarias em janeiro de 2021′”, diz Leticia Martín.