Por Crispian Balmer

VENEZA (Reuters) – O diretor norte-americano Todd Field centra seu novo filme “TÁR” em um devastador escândalo sexual que poderia estar no movimento #MeToo, mas caracterizar o longa como um comentário social ou uma peça de propaganda política seria um desserviço à obra, disse sua estrela, Cate Blanchett, nesta quinta-feira.

Blanchett interpreta uma obstinada e talentosa maestrina gay de uma grande orquestra alemã, cuja carreira aparentemente implacável é atingida pelo furacão de um escândalo de abuso que nunca é totalmente explicado no enredo. 

O filme, que estreia no Festival de Cinema de Veneza, mergulha profundamente no mundo da música clássica e nas complexidades da vida da orquestra. Ele destaca uma mistura venenosa de sexo, poder e exploração, mas Blanchett nega que isso seja o principal da história.

“Embora existam muitos tópicos quentes que aparecem neste filme, ele não é sobre nenhuma dessas coisas. Elas são dispositivos de enredo”, disse a atriz australiana, uma veterana em Veneza, que já atuou como presidente do júri em 2020. 

“Há muitas coisas explosivas no filme. Sem querer soar muito arrogante, é muito mais existencial para mim”, disse ela, acrescentando: “Não estou interessada em propaganda política”.

Ela também negou que o filme tivesse algo significativo a dizer sobre a representatividade LGBT. “Pareceu urgente e inegável, mas, estranhamente, não pensei de maneira alguma no gênero da personagem nem em sua sexualidade”.  

(Reportagem de Crispian Balmer)

((Tradução Redação São Paulo)) 

REUTERS PB 

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