Estilo

Cartier volta aos anos 80 de olho no futuro

Com faturamento de US$ 5,7 bilhões, Grife Relança Produto de sucesso, mira nos Millenials e começa a operar vendas online

Crédito: Gabriel Reis

Christophe massoni, presidente da Cartier para a América Latina e Caribe: “É o momento certo para reviver esse ícone fashion” (Crédito: Gabriel Reis)

Sinônimo de sofisticação, o símbolo da pantera foi consagrado como um dos principais ícones da Art Decó pelas mãos do joalheiro e designer Louis Cartier, quando ele desenhou um relógio de pulso de diamantes brancos e ônix que reproduzia a pele do animal, no início do século XX. Décadas depois, a imagem do animal se tornou um marco fashion onipresente nas criações da grife, e um desejo quase inalcançável por sua exclusividade e requinte. Já na década de 1980, a Cartier mais uma vez fez história ao produzir um relógio feminino responsável por eternizar uma geração. Batizado de Panthére, o modelo trazia uma pulseira maleável que se assemelhava ao movimento de uma pantera.

Desejado por muitos, o assessório circulou nos braços de celebridades como a cantora Madonna, a atriz Gwyneth Paltrow, a atriz e ex-modelo Jane Fonda e o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards. Descontinuado com a chegada dos anos 2000, coincidentemente quando a companhia foi incorporada ao grupo Richemont, o relógio passou apenas a ser um desejo de colecionadores. Porém, como quase todos os ícones do mundo do luxo, Cartier surpreendeu seus seguidores com seu plano de negócios para 2017: a linha Panthére seria um dos carros-chefes da companhia. “Sentimos que era o momento certo de reviver esse ícone fashion, existem muitas semelhanças entre os dois períodos”, diz Christophe Massoni, presidente da Cartier para a América Latina e Caribe.

Com marca avaliada em cerca de US$ 9,3 bilhões e vendas globais de US$ 5,7 bilhões,
a Cartier vê um novo nicho de negócios com o relançamento de seu relógio. Confeccionado em seu design original e apresentado em dois tamanhos, sendo um pequeno e outro médio, a grife tenta atrair a atenção justamente da geração que não teve acesso ao produto: os chamados millenials, nascidos na década de 1980. Para isso, além dos modelos de ouro amarelo e ouro rosa com ou sem diamantes, que custam algo como R$ 118 mil, a grife de acessórios produziu uma linha de aço, cujo valor inicial é, digamos, mais acessível: R$ 21 mil.

Mais jovem: para reformular a comunicação, a renomada diretora de cinema Sofia Coppola se tornou grande parceira da grife francesa (Crédito:Dennis Van Tine/Geisler-Fotopres)

A estratégia de promover sua história, porém, não foi à toa. Mesmo sendo rentável para a holding Richemont, que faturou € 11 bilhões no ano passado, a marca começou a ter as vendas impactadas pela desaceleração da indústria de luxo na China em meados de 2015. Para reforçar seu valor e relembrar seus grandes feitos, a Cartier inaugurou, em setembro de 2016, uma loja-museu na famosa 5ª Avenida, em Nova York. O impacto foi sentido meses depois: a loja foi responsável pelo crescimento de 2% nas vendas do grupo na região América, de acordo com o balanço divulgado ao final de março de 2017.

Embora não abra números de investimentos, a empresa focou, também, em remodelar a maneira com a qual se comunica com o público. Ela intensificou sua campanha e presença nas redes sociais, e tem como grande parceira a diretora de cinema Sofia Coppola, que dirigiu o vídeo de relançamento da linha Panthére. A empresa também se rendeu às vendas por e-commerce, ainda não disponíveis para os países da América Latina. Para adequar a marca no comércio eletrônico, a Cartier produziu modelos exclusivos para o novo canal, além de ter disponibilizado o próprio Panthére. As vendas ocorrem através de uma parceria com o portal britânico de vendas online Net-a-Porter, que, além da Cartier, agrupa outras grifes de luxo, como a Burberry.

“A essência do luxo está em criar algo que proporcione exclusividade, seja icônico e desperte desejo”, diz Amnon Armoni, coordenador do MBA de gestão de negócios da Faap. “As marcas de luxo agora se alimentam da nostalgia de uma geração que não viveu o momento icônico, para atrair e criar identidade do consumidor com a marca.” No Brasil, a novidade Panthére passou a ser vendida no início de junho. Em três semanas, já tinha modelos esgotados na principal boutique da marca no País, a do Shopping Iguatemi, na região nobre de São Paulo. A companhia tem no Brasil seu segundo maior mercado na América Latina, atrás do México.

A marca, que no próximo ano completará 40 anos no País, ainda não alcançou muita expressividade em solo brasileiro. Dados a Euromonitor mostram que a grife detém apenas 0,5% do mercado de relógio de luxo no País, sendo a 18ª em uma lista de 26. Para intensificar sua presença em um mercado considerado promissor para Massoni, a empresa inaugurou, em 2012, uma loja no shopping Village Mall, no Rio de Janeiro, além de contar com duas boutiques em São Paulo. “No momento, não temos previsão de abrir novas lojas, assim como não colocamos o Brasil na lista do nosso e-commerce”, diz Massoni. “Porém, não descartamos a possibilidade de no médio e longo prazo, investirmos aqui e, quem sabe, inaugurar lojas em Belo Horizonte ou Manaus.” Ah, bom.