Negócios

Carrefour com a gôndola cheia (de lucro)

Líder em faturamento no setor de supermercados supera seus próprios recordes e expande aposta na rede Atacadão e em canais de vendas digitais.

Crédito: Divulgação

Atuando no País há 45 anos e ocupando a liderança no varejo supermercadista nacional, o Grupo Carrefour Brasil alcançou resultados históricos no terceiro trimestre do ano, apesar das incertezas geradas pela inflação e pela pandemia. De julho a setembro, as vendas do grupo atingiram R$ 18,7 bilhões, crescimento de 29,9% e de 26% no critério “mesmas lojas” (que exclui do cálculo unidades inauguradas em 2020), em relação ao mesmo período de 2019. Os resultados também renderam crescimento de 73,1% no lucro líquido, na comparação com o terceiro trimestre do ano anterior, registrando R$ 757 milhões, além de margem de 4,3%, ganho de 1,17 ponto percentual.

Com faturamento de R$ 62,2 bilhões em 2019 nas operações brasileiras e de 80,6 bilhões de euros nas operações globais, a companhia francesa teve como principal aprendizado em 2020 a importância de um ecossistema digital consistente e eficaz. Para o CEO do Grupo Carrefour Brasil, Noël Prioux, cada vez mais os clientes buscam comodidade e segurança. “Por isso, aceleramos a digitalização do nosso ecossistema e modernizamos nossa estrutura”, disse. Desde o início do isolamento social, o Carrefour contratou 9 mil pessoas, com mais de 11% das vagas voltadas ao atendimento no e-commerce.

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Grande parcela desses resultados aconteceu em decorrência do desempenho positivo do Atacadão, rede brasileira de supermercados atacado-varejista pertencente ao Carrefour. O segmento totalizou receita bruta de R$ 13,5 bilhões no trimestre. Resultado 31% acima dos R$ 10,3 bilhões registrados de julho a setembro do ano passado. O crescimento de vendas no quesito mesmas lojas foi inédito: saiu de 1,8% no terceiro trimestre de 2019 sobre 2018 e cresceu 25,8% no mesmo período deste ano sobre o ano anterior. Para Alfredo Soares, consultor de varejo e especialista em e-commerce, os resultados são reflexo do preço competitivo do atacarejo aliado à mudança no perfil de quem compra. “Estamos vivendo uma era do consumidor cada vez mais conectado e consciente”, disse Soares. Não só a mudança de perfil colaborou. A avalanche de desempregados que rumou para o empreendedorismo teve sua parcela. “O fomento do empreendedorismo no Brasil dá maior acesso de compra e, naturalmente, alavanca o mercado de atacado”. O retorno das vendas B2B e a reabertura de bares e restaurantes reforçaram o plano de expansão da rede, baseado em um novo negócio de comércio eletrônico. Parte do plano é pautada na parceria do Atacadão com operadoras de serviço de entrega rápida e já totaliza 23 lojas em 11 estados, com 100% de novos consumidores. Outro lançamento que engloba a estratégia de expansão é o e-commerce alimentar focado em clientes B2B, que, segundo a companhia, cresce cerca de quatro vezes sequencialmente.

Para o futuro, a previsão é de resultados ainda mais positivos. Depois de anunciar, em fevereiro, a compra de 30 lojas Makro por R$ 1,95 bilhão, o grupo teve a aprovação do Conselho Administrativo de Atividade Econômica (Cade) e concluiu a operação em setembro. Para Noël Prioux, a aquisição é um passo importante. “As lojas estão em localizações privilegiadas e contribuirão para impulsionar o crescimento do Atacadão, aumentando o alcance para milhares de novos clientes em mercados extremamente interessantes para nós”, disse o CEO.Além da tradicional estratégia geográfica, a marca aposta na inovação. Uma loja autônoma deve ser inaugurada em um prédio residencial de São Bernardo do Campo (SP), até o final deste ano. A experiência de compra acontece sem a presença de funcionários, com o cliente sendo responsável por escolher e pagar todos os itens. Outras lojas da mesma modalidade devem ser inauguradas em 2021.

Valeria Goncalvez

“Aceleramos a digitalização do nosso ecossistema e modernizamos nossa estrutura” Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

DESAFIOS Com 61 anos de história global, a rede varejista demorou a entrar no mercado digital, mas a estratégia utilizada com o início do isolamento social foi crucial para garantir ao Grupo os bons resultados no terceiro trimestre. No Brasil, o e-commerce alimentar da companhia representava 0,5% das vendas de alimentos em 2019. Hoje, o canal responde por 7%. No market place, a maior varejista alimentar do País registrou alta de 61,7% nas vendas do terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2019. No mesmo comparativo, o volume bruto de mercadorias (GMV) cresceu 86,1%, incluindo o serviço de entrega rápida. O resultado foi impulsionado pelo crescimento de 202,4% nas vendas do e-commerce alimentar e de 69,1% no e-commerce não alimentar, índices que se mantiveram estáveis desde o segundo trimestre do ano, no auge da pandemia. Esse equilíbrio de resultados caracteriza a mudança de perfil do consumidor. Para o analista de mercado da Mirae Asset, Fernando Bresciani, esse é o futuro. “Os novos consumidores cresceram muito com a mudança causada pela pandemia, principalmente porque a necessidade fez com que perdessem o medo das compras on-line. E isso vai ficar”.

Percebendo a mudança na forma de consumo, o grupo apostou em um novo ecossistema, voltado à plataforma omnichannel. O novo plano do Carrefour Brasil tem como objetivo principal aumentar o share wallet (compartilhamento de carteira, em inglês) da companhia. Com o receio da contaminação por Covid-19 e respeitando as medidas de isolamento, o consumidor passou a realizar as compras em menos tempo e em um só lugar. Como consequência, a identificação com o local de compra se tornou ainda mais importante.

NOVAS ESTRATÉGIAS Para evitar aglomerações, a rede trocou ofertas de um dia por outras com maior duração. (Crédito:Divulgação)

As alternativas passaram inclusive por congelamento de preços dos produtos de marca própria. Em abril, a rede varejista trocou as ofertas de um dia por outras com maior duração, buscando evitar aglomerações. Com isso, além de ganhar a simpatia dos clientes, o diminuiu o desperdício de alimentos e, de quebra, reduziu o gasto com anúncios em canais tradicionais. “Deixamos de gastar R$ 20 milhões em marketing por mês com meios de comunicação massivos, como a televisão, para gastar por volta de R$ 5 milhões com comunicação dividida, personalizada e digital”, afirmou o CEO do Carrefour Varejo, Luis Moreno.

Segundo o grupo , a economia gerada com a mudança será revertida em um programa de recompensa ao cliente, lançado no início de novembro com o novo aplicativo da rede varejista. Na nova plataforma, que possui tecnologia proprietária e capacidade de integração com parceiros, o cliente dispõe de produtos e ofertas exclusivas, comprando e acumulando pontos que podem ser trocados por produtos diversificados. Produtos de marca Carrefour terão destaque nas ofertas, podendo ser disponibilizados de graça como forma de atrair novos consumidores à marca. Moreno afirma que o objetivo não é fazer com que o cliente gaste mais, mas garantir sua fidelização. “Trata-se de criar um ciclo virtuoso, em que resolvemos os problemas mais comuns dos clientes, simplificamos nosso negócio e transferimos todos os benefícios dessa simplificação”, disse. O pacote estratégico parece estar dando certo. No terceiro trimestre, o share wallet do Grupo Carrefour Brasil alcançou 25%, salto significativo diante dos 19% registrados no período pré-pandemia. A empresa decidiu agir em múltiplas frentes. Seguiu o princípio de que, em meio à crise, o único lugar em que você não pode permanecer é aquele em que já estava antes.

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