Coluna

Carlos Wizard Martins investe em banco social para concorrer com Nubank

Em conjunto com o empresário Rodrigo Borges, a dupla está criando o Social Bank, que permite empréstimo e pagamento de contas diretamente entre usuários

O empresário Carlos Wizard Martins, dono da rede de alimentos saudáveis Mundo Verde e sócio da escola de inglês Wiseup, entre outros negócios, está entrando no mundo das fintechs, startups tecnológicas do setor financeiro.

Nesta semana, ele anuncia o Social Bank, uma espécie de banco digital que permite que pessoas físicas façam empréstimo e pagamento de contas entre si. Além disso, ele terá um cartão de crédito associado à bandeira Mastercard.

Rodrigo Borges lidera o projeto do Social Bank

O empreendimento é uma parceria com Rodrigo Borges, de quem Martins é sócio da HubPrepaid, que atua no mercado de meios de pagamentos. Cada um deles terá 50% desse novo negócio.

“Queremos fazer uma nova releitura dos bancos”, afirmou Borges, ao blog BASTIDORES DAS EMPRESAS.

Apesar do nome, o Social Bank não é exatamente um banco. Ele tem autorização para ser uma conta de pagamento digital.

O usuário pode criar uma conta digital e fazer transações, transferências, DOCs e TEDs. Se tiver um cartão, poderá sacar dinheiro em lotéricas ou caixas eletrônicos da rede do Banco24Horas.

A Nubank, uma das principais fintechs brasileiras, acaba de anunciar uma conta digital, mas que não permite pagamento de boletos, nem o saque de dinheiro em caixas eletrônicos.

A grande novidade do Social Bank é permitir que os usuários negociem diretamente empréstimos. Tanto que não haverá número de agência e conta. O próprio número do celular do cliente será o número de sua conta no Social Bank, o que deve facilitar a realização de transferências para outras pessoas, bastando ter apenas o contato em sua agenda.

De acordo com Borges, todos os clientes terão uma nota para classificar o seu perfil de crédito. Quem quiser pedir dinheiro emprestado, deve informar o valor que precisa e qualquer pessoa que esteja cadastrada pode emprestar o dinheiro.

O valor dos juros será definido diretamente entre as duas partes. “Queremos uberizar a forma das pessoas se relacionarem com o dinheiro e possibilitar a total desintermediação para movimentações financeiras”, afirma Borges.

Os dois sócios do Social Bank já investiram R$ 30 milhões para o desenvolvimento da plataforma, que já está no ar e conseguiu, sem nenhum alarde, dois mil clientes em apenas sete dias.

O plano é investir R$ 50 milhões em comunicação e marketing para divulgar a nova plataforma, a partir de janeiro de 2018.

Em 2018, a meta é conquistar 100 mil contas ativas. Em três anos, o objetivo é alcançar 1 milhão de clientes.

O Social Bank não cobrará comissões pela intermediação entre os usuários. Seu modelo de negócio é ganhar nas tarifas tradicionais de serviços bancários, como DOCs e TEDs.

Além disso, como terá um cartão, assim como a Nubank, também receberá uma comissão em cada transação realizada pelo seu cliente.

O Brasil é um dos mercados mais promissores do mundo para as fintechs. Um relatório de 45 páginas do banco de investimento Goldman Sachs estima que as empresas de tecnologia de serviços financeiros brasileiras podem gerar uma receita conjunta de US$ 24 bilhões nos próximos 10 anos.

“Acreditamos que as fintechs podem ter um grande impacto Brasil, muito maior do que em outros mercados desenvolvidos”, diz um trecho do texto, escrito pelos analistas Carlos Macedo, Marcelo Cintra, Steven Goncalves e Nelson Catala.